JB Neto/AE
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Assessor parlamentar é preso ao desacatar policiais em SP

Valmir Moysés, identificado como secretário da liderança do PT, foi detido após confusão em boate

Daniela do Canto, do estadao.com.br,

16 de dezembro de 2009 | 11h22

O assessor parlamentar Valmir Moysés, de 48 anos, foi preso na madrugada desta quarta-feira, 16, após desacatar policiais militares da 3ª Companhia do 19º Batalhão no 70º Distrito Policial (Sapopemba), na zona leste de São Paulo. Moysés foi levado ao local após se envolver em uma briga com um conhecido, dentro de uma casa de prostituição na Avenida Sapopemba. Na delegacia, Moysés se identificou como secretário parlamentar da liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

 

A Polícia Militar foi acionada sobre a ocorrência por volta das 2 horas, por meio do seu Centro de Operações. Ao chegar à Boate Carícias, encontrou Moysés e o metalúrgico José Paulo Ferreira Alves, de 30 anos, que se desentenderam na hora do pagamento da conta. "Eu pedi para ele (Moysés) pagar para mim e eu pagaria ele depois, mas ele não gostou e me deu um soco no peito. Depois, bateu de novo, daí eu reagi", afirmou o metalúrgico. Os dois se conheciam há cerca de três meses e foram apresentados por um amigo em comum.

 

O assessor - que apresentou uma carteira funcional da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - tem uma versão diferente: ele afirma que Alves o agrediu primeiro. Depois de orientar que os dois pagassem a conta - Moysés gastou cerca de R$ 105 e Alves, cerca de R$ 35 - os policiais os levaram ao Pronto-Socorro (PS) do Jardim Iva. Mas Moysés se recusou a receber atendimento médico. "Achei o lugar muito estranho", justificou, durante uma entrevista.

 

"Ele se negou a receber o atendimento e alegou que os PMs iriam torturá-lo dentro do PS", disse o sargento Roberto Lima Fernandes. De acordo com o sargento, Moysés chegou a se identificar como assessor do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e por diversas vezes afirmou que "pagava o salário da PM". Levado ao 70º Distrito Policial (Sapopemba), Moysés voltou a agredir o metalúrgico, em frente aos PMs. "Ele meu deu dois tapas e um chute", afirmou Alves.

 

Em seguida, o assessor passou a fazer várias ligações telefônicas e a acusar os PMs de envolvimento em diversos crimes. Foi quando o sargento Fernandes ordenou que o suspeito desligasse o telefone celular e deu a ele voz de prisão por desacato, às 3h20. "A nossa equipe manteve a calma. Sabendo que ele estava embriagado e alterado, continuamos a tratá-lo com cordialidade", explicou o sargento. Segundo a PM, o assessor possui uma passagem anterior, por homicídio.

 

Mais acusações

 

Em entrevista, Moysés reafirmou as diversas acusações contra os policiais, entre elas envolvimento no jogo do bicho, em roubos de caixa eletrônico, narcotráfico e sedução de menores. "A PM é uma polícia desqualificada. Eles são mais bandidos do que os bandidos. Se fosse em Moema (bairro da zona sul da capital) seriam uns policiais melhores", afirmou o assessor parlamentar. Ele também questionou a ação do sargento. "Quem é a PM para me dar ordem de prisão?"

 

Durante a entrevista, Moysés admitiu ter "bebido um pouco": duas doses de uísque. "Todo mundo merece um relaxamento. Vai dizer que a PM também não relaxa?". Ele ainda disse acreditar que a sua atitude não manchará a imagem do cargo que ocupa. "Não acho a minha conduta pior do que a do Arruda (governador José Roberto Arruda, suspeito de coordenar o esquema do 'mensalão' do DEM) em Brasília", comparou.

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