Assessor operava esquema paralelo

Quinto servidor envolvido em fraude do ISS, Fabio Remesso atuava com Ronilson Rodrigues; sua exoneração deve ser publicada hoje no 'Diário Oficial'

O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2013 | 02h01

A investigação sobre o pagamento de propina na gestão Gilberto Kassab (PSD) aponta outro assessor da administração municipal, filiado ao PMDB, como o operador de um esquema paralelo de desvio de Imposto sobre Serviços (ISS). Trata-se de Fabio Camargo Remesso, ex-chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social (SMADS) e atual assessor técnico da pasta de Relações Governamentais. A Prefeitura informou que ele será demitido e sua exoneração deve ser publicada hoje no Diário Oficial da Cidade.

Na época em que atuava na Secretaria de Finanças, durante a gestão Kassab, segundo a investigação, Remesso fez parte de um esquema paralelo chefiado por Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado também como o chefe da quadrilha que atuava desde 2007 na Prefeitura. Conhecido como Fabinho, ele é citado como operador de um esquema que ajudava a Construtora Alimonti a burlar o pagamento de ISS devido. Segundo a apuração, ele teria passado a atuar com a empresa por ter mais "flexibilidade" em relação aos valores da propina.

Nas negociações que envolviam Remesso e Rodrigues, os outros apontados pelo Ministério Público como parte do esquema - Eduardo Horle Barcellos, Luis Alexandre Cardoso Magalhães e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral - ficavam de fora na hora de dividir os lucros.

Funcionário de carreira da administração municipal, ele assumiu, no início no ano, a chefia de gabinete da SMADS, cuja titular é Luciana Temer (PMDB), filha do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Em 26 de junho, foi exonerado a pedido. Com indicação do vereador Nelo Rodolfo (PMDB), ele assumiu o cargo de assessor técnico da Coordenaria de Articulação Política e Social, cujo titular é o petista João Antonio.

Quando era auditor fiscal na Secretaria Municipal de Finanças, chegou a substituir Ronilson Bezerra Rodrigues no cargo de subsecretário da Receita. O salário dele na pasta de Relações Governamentais é de R$ 19,9 mil. Ele era pré-candidato a deputado estadual, com base eleitoral na zona norte.

Outro suspeito. As investigações também apontam a atuação de outro servidor municipal, o auditor fiscal Amilcar José Cançado Lemos. O salário dele na Prefeitura é de R$ 20,4 mil.

Segundo apontam as investigações, ele teria iniciado a estruturação da quadrilha em setembro de 2008, quando passou a trabalhar no Departamento de Rendas Mobiliárias (DICI-4).

De acordo com a apuração do MP, Lemos teria estruturado o esquema. Ele era desafeto de Eduardo Barcellos e, mais tarde, teve desentendimentos com Luís Alexandre Magalhães e acabou afastado da quadrilha.

O inquérito aponta que Lemos ficou insatisfeito com a situação e passou a denunciar os antigos companheiros de esquema. Ele teria escrito cartas anônimas delatando os membros da quadrilha. Uma delas, a respeito de Rodrigues, chegou às mãos do corregedor da Prefeitura durante a gestão Kassab, Edilson Bonfim. Ele iniciou a apuração das denúncias, mas a investigação não avançou.

Questionada sobre as suspeitas contra ex-funcionários, a Prefeitura informou que não detalhará a investigação em curso. / ARTUR RODRIGUES, BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE e DIEGO ZANCHETTA

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