Assessor investigado não declarou patrimônio à Prefeitura de SP

Tony Nagy, assessor do secretário municipal do Trabalho, Eliseu Gabriel (PSB), é investigado pela Controladoria-Geral do Município por suspeita de enriquecimento ilícito

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta e Fabio Leite - O Estado de S. Paulo,

21 Novembro 2013 | 11h29

Um assessor do secretário municipal do Trabalho de São Paulo, Eliseu Gabriel (PSB), é investigado pela Controladoria-Geral do Município por suspeita de enriquecimento ilícito. Tony Nagy foi nomeado para o cargo em fevereiro deste ano e não entregou à Prefeitura a declaração patrimonial obrigatória aos servidores da capital. Por isso, pode ter o salário de R$ 4,8 mil mensais suspenso.

Segundo a Controladoria, a investigação está restrita ao patrimônio não declarado de Nagy e, por ora, não tem ligação com a quadrilha de auditores fiscais que cobrava propina para dar descontos em impostos na capital paulista. O nome dele também não aparece no rol de investigados pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Nagy, porém, tem uma casa lotérica em Moema, na zona sul, a exemplo dos auditores fiscais acusados de integrar o esquema. Segundo o MPE, os servidores usavam esses estebelcimentos para lavar dinheiro fruto da corrupção. Além disso, estão registrados nos nomes da família de Nagy uma empresa chamada Aprov Projetos e Regularizações de Documentos Ltda., que presta consultoria de outorga onerosa, e outra com o nome de Nagy Administração de Bens Ltda. 

Nas eleições de 2012, Nagy doou R$ 140 mil para a campanha de Eliseu Gabriel a vereador. À época, ele era assistente parlamentar do político na Câmara Municipal, nomeado em 2007. Do total, R$ 110 mil foram doados em dinheiro, segundo a prestação de contas de Gabriel ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Foi Nagy quem contratou para trabalhar no gabinete de Gabriel na Câmara Municipal a advogada Verônica Horle Barcellos, irmã de Eduardo Horle Barcellos, um dos auditores fiscais presos sob a acusação de desviar até R$ 500 milhões no esquema. Ao MPE, Barcellos disse que pagou R$ 20 mil por mês ao ex-secretário municipal do Governo, Antonio Donato (PT), entre 2011 e 2012. Donato nega, mas pediu demissão do cargo na gestão Fernando Haddad (PT).

Além do valor expressivo da doação eleitoral, a lei define que uma pessoa física pode doar no máximo 10% de sua renda bruta anual, Nagy demonstrava ostentar dinheiro. Ela mora numa cobertura duplex na Vila Leopoldina, zona oeste, e ia trabalhar às vezes com um porsche, às vezes com uma BMW. 

O Estado tentou contato com Tony Nagy e Eliseu Gabriel (PSB), mas eles não foram localizados.

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