Assento para crianças some das lojas

Às vésperas da obrigação de cadeirinhas nos carros, pais têm dificuldade para achar o booster, para passageiros de 4 a 7 anos e meio

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Mesmo com os três meses a mais para a adaptação, os pais ainda vão encontrar dificuldades para comprar os equipamentos para o transporte de crianças. O maior problema é com o assento de elevação, ou booster, que praticamente desapareceu das lojas. E essa situação é constatada às vésperas do início da fiscalização, na próxima quarta-feira.

As cadeirinhas e outros dispositivos de segurança passaram a ser obrigatórios com a resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Crianças de zero a dez anos devem ser transportadas no banco de trás e com um item específico, dependendo da idade (veja ao lado). O início da fiscalização estava marcado para junho, mas foi adiado, pois os equipamentos faltaram nas lojas.

Agora, às vésperas do início da fiscalização, há oferta suficiente de cadeirinha e de bebê conforto. Por outro lado, a maior parte das lojas especializadas de São Paulo não tem boosters. A reportagem do Estado entrou em contato e visitou sites de dez lojas. Em sete não havia boosters. Em algumas delas, nem chegou a haver novas entregas do produto.

"Estamos sem os produtos desde a primeira data marcada para o início das multas. Fizemos um pedido em abril, mas não recebemos", diz a gerente da loja Best Baby, Denise Boyamian. A previsão para a chegada dos boosters é fim de setembro.

Alternativa. Uma alternativa para a falta dos boosters - que devem ser usados por crianças de 4 a 7,5 anos - é a compra de outros equipamentos que também podem ser utilizados nessa faixa etária ou que se adaptam para formar um booster. O problema é que eles chegam a custar dez vezes mais. "Muitos pais estão optando por levar cadeirinhas do modelo poltrona", diz a gerente da loja Petit, Edjane Vicente. Os boosters eram vendidos na loja por no máximo R$ 99. As poltronas custam R$ 900.

O gasto tem sido evitado por muitos pais, que insistem na procura pelos boosters. Caso do administrador Paulo Ferreira, de 37 anos. "Vou continuar procurando por lojas que tenham."

Explicação. Os responsáveis pelas marcas que fabricam os boosters atribuem a falta dos produtos à demora para que cheguem ao País. A maioria é produzida no exterior. Não há no Brasil laboratórios credenciados e, por isso, os testes de qualidade precisam ser feitos fora. "Depois do produto pronto, a certificação leva seis meses", diz o diretor de Marketing da marca Infanti, Fabiano Myumheis.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) informou que o órgão não vai prorrogar o início da fiscalização.

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