Assassino de Glauco ligou 12 vezes para 190 após cometer o crime

Contas telefônicas mostram que foram feitas mais ligações do que a PM havia anunciado

31 Março 2010 | 23h08

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde

 

SÃO PAULO-  

A Polícia Militar (PM) ignorou 12 ligações de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, feitas após o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, de 53, e do filho Raoni, de 25, no dia 12, em Osasco, na Grande São Paulo. A PM havia informado anteriormente que apenas dois telefonemas teriam sido recebidos pelo190.

 

Em depoimento à Polícia Civil, ele contou que queria se entregar e foi orientado pelo atendente do 190 a se apresentar na delegacia mais próxima. Em outra ligação, segundo a PM, Cadu dizia frases desconexas e não forneceu a localização exata para que uma viatura fosse enviada até o local.

 

O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, responsável pelo inquérito, recebeu na última sexta-feira as contas detalhadas do celular de Cadu.

 

Três ligações foram feitas minutos depois do crime, que ocorreu entre 0h20 e 0h22. A primeira, às 0h25, durou oito segundos. A seguinte, à 0h34, 36 segundos. E a terceira, 0h36, 93 segundos. As outras nove foram feitas no dia 13, entre 17h13 e19h03, mas a PM admite ter recebido cinco.

 

GPS

 

A Polícia Civil também apurou que Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, saiu da chácara de Glauco somente após o crime, à 0h22m36s do dia 12. O horário foi apontado pelo GPS do carro dele. No primeiro depoimento, ele disse que havia deixado o local antes dos disparos.

 

À 0h29m01s Iasi parou o carro na Rua Pero Vaz de Caminha e desligou o motor. À 0h29m46s, ligou o veículo e saiu. Segundo o delegado, Iasi é suspeito de ter dado fuga para Cadu. O estudante caiu em contradição no primeiro depoimento, dia 14.

 

O rapaz afirmou que chegou em casa à 0h33 do dia 12. Porém, o GPS apontou que naquele horário ele estava na Via Anhanguera e à 0h54, na Rua Estados Unidos, nos Jardins. De acordo com o delegado, Iasi, que mora na Rua Francisco Leitão, em Pinheiros, chegou ao bairro à 1h03. Estranhamente, não estacionou na garagem do prédio onde reside e tem vaga, mas na rua de trás.

 

Além disso, Iasi em nenhum momento procurou a polícia para dizer - como alegou no depoimento - que foi sequestrado por Cadu, ameaçado de morte e obrigado a levá-lo à casa do cartunista.

 

O rapaz admitiu que pulou o muro da chácara e abriu o portão para o assassino. O delegado afirma que, já que ficou longe de Cadu, poderia ter alertado as vitimas e a polícia. Veras Júnior apurou ainda que Iasi deixou o celular desligado entre 23h22 do dia 11 - quando fez a última ligação para Cadu - e 7h48 do dia do crime.

 

Iasi não avisou à polícia na manhã após o crime nem disse que usou o carro para levar o assassino ao local. Ele prestou o segundo depoimento no último dia 22 e não respondeu às perguntas. O rapaz foi indiciado como partícipe - colaborador do crime.

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