JF Diorio/AE
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Assassino de Cunha confessa crime e afirma que irmãs o hostilizavam

Ananias dos Santos foi preso na cidade de Guaratinguetá, em SP, e disse que sentiu 'remorso'

João Carlos de Faria, Especial para O Estado

11 de abril de 2011 | 20h27

GUARATINGUETÁ - Ananias dos Santos, o assassino das irmãs Josely Laurentino de Oliveira, 16 anos, e Juliana Vânia de Oliveira, 15 anos, que confessou o crime à polícia de Guaratinguetá, nessa segunda-feira, 11, contou que era hostilizado por elas, que o chamavam de "fedido", "feio" e "fedorento", entre outras ofensas. Mesmo assim ele teria sentido "remorso" no momento do crime, enquanto atirava nas duas adolescentes e chorou ao ver as fotos dos corpos.

 

Santos será ouvido novamente nessa terça-feira, para que algumas dúvidas sejam esclarecidas, segundo o delegado que preside o inquérito, Marcelo Cavalcante. Ele disse à polícia e á imprensa, que está arrependido e antes de entrar para a carceragem da cadeia pública de Guaratinguetá pediu perdão aos pais das meninas. "Peço perdão a ele", disse.

 

"Queria saber qual o motivo que ele fez isso", reagiu o pai das meninas, José Benedito de Oliveira, ao saber da prisão de Santos. A mãe, Iracema Maria de Oliveira, de 42 anos, disse que ficou emocionada ao saber do fato. "Estou tranquila agora", afirmou.

 

A delegada seccional de Guaratinguetá, Sandra Maria Pinto Vergal, Santos confessou que rendeu as irmãs e depois as obrigou a seguir a pé até o local do crime, e ao passar por uma represa mandou que elas jogassem as mochilas na água, "para aliviar o peso". O crime teria sido planejado com uma semana de antecedência.

 

Prisão. Sandra disse que a prisão de Santos foi uma ação planejada da investigação e que o assassino não esboçou nenhuma reação quando foi abordado de surpresa, pelos policiais, na casa de parentes.

 

Durante as buscas, ele teria ficado nas proximidades da casa dos pais e planejava se entregar, pois não pretendia fugir. "Ele pretendia esperar, mas disse que iria se entregar", afirmou um investigador.

"Queria preservar minha vida", disse.

 

A arma, uma espingarda Remington calibre 22 de 15 tiros, estava escondida na serrano bairro Campos Novos, a cerca de 50 km de Cunha, enterrada em um local de difícil acesso e estava envolta em um saco plástico e banhada em óleo para não enferrujar.

 

A polícia afirmou que as investigações continuam e que nos próximos dias deverá ser feita a reconstituição do crime. "Existem alguns fatos que estão soltos. Precisamos ter certeza absoluta da autoria do crime", disse o delegado Marcelo Cavalcanti.

 

Ele afirmou, no entanto, que o inquérito já caminha para o seu final e, sendo comprovada a culpa de Santos, ele poderá ser enquadrado por homicídio qualificado, por motivo torpe e por ter impedido a defesa das meninas.

 

Depois de encerrado o inquérito, Santos deverá voltar ao Presídio Edgar Magalhães Noronha, em Tremembé, de onde saiu no indulto da Páscoa de 2009 e não mais voltou.

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