Assassinatos mais que triplicam à noite em Salvador

Percussionista do Olodum foi executado ao chegar em casa; população teme situação semelhante à da greve da PM de 2001

SALVADOR, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h04

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia registrou, entre a meia-noite e as 6h41 de ontem, 18 homicídios no Estado. Desse total, 15 ocorreram apenas em Salvador. O número é quase quatro vezes maior do que a média de quatro assassinatos registrada no ano passado na capital baiana - no Estado, foram 14. Outros dois assassinatos ocorreram ontem em Ipitanga e um em Madre de Deus, na região metropolitana.

Uma chacina com quatro mortos ainda foi registrada no bairro de Pituaçu e um atentado ocorreu no bairro de Engomadeira, deixando dois homens mortos e um ferido - atingido por um tiro no pé.

Outra vítima da onda de violência foi o percussionista Denilton Cerqueira, de 34 anos, do grupo Olodum. Segundo relatos, ele teria sido abordado por dois homens quando chegava de moto em sua casa, no bairro da Mata Escura. Os homens teriam roubado o veículo e atirado em seguida no músico.

O aumento das mortes contribuiu para a sensação de terror vivida ontem por muitos baianos e turbinada por uma série de saques e boatos. A Secretaria de Segurança Pública anunciou a prisão de 14 pessoas. Duas foram detidas em flagrante à tarde, enquanto saqueavam uma loja. Em outro caso, um homem foi preso depois de deixar cair uma TV do carro em que estava, após um saque.

Na Avenida 7 de Setembro, uma das principais e mais tradicionais do comércio do centro de Salvador, o maior receio de empresários e lojistas é que se repita, na cidade, o que ocorreu em julho de 2001, quando houve a última grande greve da Polícia Militar no Estado e a população também teve de conviver com saques, comércio fechado, empresas de ônibus paradas e quartéis dominados pelos PMs grevistas. "A gente estava muito tenso", resumiu a gerente Claudia Rocha Santos, que só abriu a loja após notar a passagem de caminhões do Exército pelo centro de Salvador.

"Não pude trabalhar", lamentou o comerciante Ricardo Cury, que teve de fechar a lanchonete Kiberia, no bairro da Barra, logo no começo da tarde de ontem. Se fosse um dia normal, o local funcionaria até as 20 horas. "Em pleno verão de Salvador, em um bairro turístico, um ótimo dia para vender e a minha cidade não permitiu que eu trabalhasse." Os outros lojistas da rua tomaram a mesma decisão.

Em casa. O motorista de ônibus Fernando Melo, de 45 anos, relatou que está com medo de ir até a esquina. "O problema é ficar sem ninguém para defender a gente, porque tem muito malandro louco por uma oportunidade sem polícia. Se notar que está sem policiamento, nem saio de casa." / TIAGO DÉCIMO

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