Assassinatos mais que quadruplicam em Salvador

Músico do Olodum morreu ao chegar em casa de madrugada; moradora de rua que amamentava o filho foi executada à noite

SALVADOR, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h01

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia registrou ontem 22 homicídios no Estado. Desse total, 17 ocorreram apenas em Salvador. O número é quatro vezes maior do que a média de quatro assassinatos registrada no ano passado na capital baiana - no Estado, a média diária é de 14.

Apesar de o Exército e da Força Nacional patrulhar diversas ruas - e grande parte delas estar deserta em plena sexta-feira -, havia relatos de uma série de homicídios até as 23 horas. No caso mais grave, testemunhas relataram que quatro homens desceram de um carro atirando contra moradores de rua na Praça da Piedade, no centro, fugindo em seguida. Houve confusão no local e a Polícia Civil confirmou a morte de uma mulher, que estaria amamentando quando foi atingida por disparos. Um homem também ficou ferido na ação.

Já no bairro periférico de Cosme de Farias, um jovem de 19 anos foi morto a tiros, na porta de casa. Testemunhas disseram que cinco homens foram ao local em um carro e pareciam conhecer a vítima. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa investiga o caso.

Outra vítima da onda de violência, em um caso semelhante, foi o percussionista Denilton Cerqueira, de 34 anos, do grupo Olodum. Segundo relatos, ele teria sido abordado por dois homens quando chegava de moto em sua casa, de madrugada, no bairro da Mata Escura. Os homens teriam roubado o veículo e atirado em seguida no músico.

Uma chacina com quatro mortos ainda foi registrada no bairro de Pituaçu e um atentado ocorreu no bairro de Engomadeira, deixando dois homens mortos e um ferido.

O aumento das mortes contribuiu para a sensação de terror vivida ontem por muitos baianos e turbinada por uma série de saques e boatos. A Secretaria de Segurança Pública anunciou a prisão de 14 pessoas - 3 em flagrante por saque.

Na Avenida 7 de Setembro, uma das principais e mais tradicionais do comércio do centro de Salvador, o maior receio de empresários e lojistas é de que se repita o que ocorreu em julho de 2001, quando houve a última grande greve da Polícia Militar no Estado e a população também teve de conviver com saques e comércio fechado.

"Não pude trabalhar", lamentou o comerciante Ricardo Cury, que teve de fechar a lanchonete Kiberia, no bairro da Barra, logo no começo da tarde de ontem.

Já o motorista de ônibus Fernando Melo, de 45 anos, relatou que está com medo de até de ir à esquina. "O problema é ficar sem ninguém para defender a gente, porque tem muito malandro louco por uma oportunidade sem polícia. Se notar que está sem policiamento, nem saio de casa." / TIAGO DÉCIMO

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