Hélvio Romero / Estadão
Hélvio Romero / Estadão

Assaltos menores, como a entregadores de pizza, inflam dados de roubo de carga, diz secretário

Foram 8.867 registros de roubo de carga até novembro; índice já supera todos os anos anteriores, a contar de 2002 - o primeiro que aparece no site da SSP

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2016 | 19h47

SÃO PAULO - Enfrentando recorde de roubo de carga no Estado, o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves, atribuiu o aumento desse tipo de crime a "casos menores", como assaltos a entregadores de pizza, por exemplo. Ao elogiar o trabalho policial, o titular da pasta propôs discutir a revisão das ocorrências que são enquadradas no delito. "Talvez, o conceito de carga é que tenha de ser alterado", afirmou. "Pessoalmente, eu examino por amostragem os casos de roubo de carga e, às vezes, fico bobo."

Em sua declaração, Mágino relatou uma ocorrência em que o criminoso abriu a porta de um furgão cheio de mercadorias e roubou apenas um item. "Ele, tendo opção de levar uma série de produtos, tira pontualmente uma panela de pressão" ,disse o secretário. "A gente teria de, talvez, conceituar de forma mais adequada. Não é dizer ‘olha, isso não é crime’. É crime, mas vai impactar no roubo normal."

Foram 8.867 registros de roubo de carga até novembro. O índice já supera todos os anos anteriores, a contar de 2002 - o primeiro que aparece no site da SSP. Na ocasião, foram 3.686 ocorrências. "O roubo de carga típico - de celulares, eletrodomésticos - está caindo”, afirmou Mágino. “Eles acontecem principalmente nas rodovias, e as estratégias das polícias foram eficientes."

Em novembro, o crime subiu 28,4% no Estado, comparado ao mesmo mês do ano passado. Foram 975 ocorrências, ante 759. Mais da metade dos casos aconteceu na cidade de São Paulo, que registrou 583 delitos. Em novembro de 2015, foram 459 - uma alta de 27%.

Mágino disse que não há nenhuma proposta em curso para alterar a maneira com que o crime é registrado nos boletins de ocorrência. Segundo afirma, é "só uma discussão". "Algumas estratégias também já estão sendo debatidas. Vamos colocar em prática e vamos tentar mapear melhor essas ocorrências."

Para o secretário, é preciso ter cuidado ao alterar uma natureza criminal, uma vez que poderia comprometer a comparação com as estatísticas anteriores do crime. "Enquanto a gente não achar uma forma de preservar, de deixar a série histórica íntegra, não podemos mexer."  

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