Assaltos caem no entorno da cracolândia e sobem na periferia

Área central foi alvo de ações de segurança no 1º bimestre e melhorou índice ante 2011; Vila Matilde lidera alta

Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

26 Março 2012 | 22h30

SÃO PAULO - Os bairros da periferia de São Paulo foram os que concentraram o maior crescimento no número de roubos no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os bairros mais centrais e ricos foram os que tiveram as principais quedas.

Entre as regiões que registraram reduções mais fortes estão as dos arredores da cracolândia, área que no primeiro bimestre foi alvo de ações de segurança.

O campeão de aumento de roubos foi a Vila Matilde, na zona leste. Os 59 casos ocorridos entre janeiro e fevereiro do ano passado saltaram para 159 ocorrências, o que significa um crescimento de 169%.

Mas a alta se repetiu em quase todos os cantos da cidade. O segundo colocado entre os bairros em que os roubos mais cresceram é o Jardim das Imbuias (89%), na zona sul. O Parque do Carmo, também na zona leste (61%), o Limão (60%) e Vila Guilherme, ambos na zona norte, vieram em seguida. "Creio que é um reflexo do aumento do poder aquisitivo da classe C", afirma o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima.

Já a região central, perto da área que foi alvo da Operação Centro Legal, na cracolândia, teve o movimento contrário. Quedas foram registradas no Bom Retiro (-36%), Santa Ifigênia (-31%), Consolação (-31%), Santa Cecília (-25%), Brás (-17%), Liberdade (-3%) e Sé (-1%).

Também houve quedas em áreas ricas, como Pinheiros (-16%), Perdizes (-12%), Ibirapuera (-10%), Morumbi (-10%), Paulista (-9%) e Jardim Paulista (-9%). "O crescimento dos roubos nas periferias é surpreendente e ainda precisamos estudar o que está acontecendo", admite o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante da Polícia Militar de São Paulo.

Já o roubo de veículos, crime que mais atemoriza pelo alto risco de morte da vítima, cresceu em dois de cada três DPs da capital. Tendência semelhante de aumento de casos na periferia e queda no centro se repete. Nos bairros centrais, caiu o total de casos na Santa Ifigênia (-83%), Jardim Paulista (-39%) e Morumbi (-15%). O Cambuci, no centro, é exceção: teve o maior crescimento (244%).

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