Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Assaltos assustam alunos do Largo de São Francisco, no centro de SP, na volta às aulas presenciais

Comunidade acadêmica tem relatado alta de crimes na região e se mobiliza para deslocamento em grupos até o metrô. Polícia disse que vai intensificar patrulhas

Italo Cosme, especial para o Estadão

24 de março de 2022 | 12h05
Atualizado 24 de março de 2022 | 20h26

SÃO PAULO - A comunidade acadêmica do curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP) está preocupada com os crimes registrados nas proximidades da faculdade. As atividades presenciais voltaram em 14 de março no Largo de São Francisco, no centro da capital, e os estudantes passaram a sair em grupos, com horário e rotas preestabelecidas, sugestão feita pela própria coordenação do curso, na tentativa de se proteger. Na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Perdizes, também há relatos de aumento de assaltos e furtos com o retorno às aulas.

O Largo de São Francisco fica a menos de 200 metros da sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Segundo o diretor da Faculdade do Largo do São Francisco, Celso Campilongo, desde o início da semana passada chega à coordenação todos os dias relato de ao menos um assalto envolvendo alunos da instituição nos arredores do prédio.

Com representantes estudantis, Campilongo visitou o Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento do centro, para pedir reforço no patrulhamento da área das Arcadas. Também solicitou ajuda à Guarda Civil Metropolitana e à Guarda Universitária “Apesar de todas as medidas adotadas, há registro de casos de assaltos tanto durante o dia quanto à noite. Por isso mesmo foram solicitados reforços no policiamento, quer à PM quer à Guarda da própria USP”, disse Campilongo.

Após uma reivindicação dos estudantes, a entrada da Estação Anhangabaú do Metrô localizada na Rua Doutor Falcão Filho agora fica aberta até as 23h30, e não mais até as 23 horas. Assim, os alunos do período noturno que usam transporte público podem fazer um trajeto menor, sem precisar ir até a Praça da Sé ou até o Terminal Bandeira, uma vez que a maioria dos relatos de assalto ocorre nesse horário.

Estudantes também se organizaram para enviar um ofício à Prefeitura, pedindo melhorias na iluminação pública da região e também uma política pública para as pessoas que vivem em situação de rua nas proximidades do Largo de São Francisco. “É uma via de mão dupla: precisamos auxiliar essa população, que sequer tem o que comer, e garantir a segurança dos alunos”, diz Letícia Chagas, aluna do último ano do curso de Direito.

O Centro Acadêmico chegou a fazer duas reuniões com os estudantes nesta quinta-feira, 24, para discutir o assunto. “Campanhas e panfletos de conscientização, além de reforço dos grupos de saída conjunta e encontro para o metrô e terminais, são passos futuros”, diz a presidente Helena Simões.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que ações de policiamento preventivo e ostensivo na região do Largo de São Francisco serão intensificadas. “Desde o início do ano, mais de 50 criminosos já foram presos na região da Sé (1.º DP). As forças de segurança mantêm programas específicos de policiamento pela área, com o emprego de efetivo em viaturas em motos, carros e patrulhamento a pé.”

Especificamente no entorno da universidade, acrescentou a pasta, mais de 330 pessoas já foram abordadas. “Paralelamente a esse trabalho, desde a última segunda-feira as Polícias Civil e Militar e a Guarda Civil Metropolitana realizam a Operação Capital Mais Segura para combater roubos e furtos, em especial os cometidos com o uso de motos. Até o momento 16 criminosos já foram presos e 43 motocicletas apreendidas.”

Já a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento fez uma vistoria para verificar as condições da rede de iluminação pública. A Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que está realizando obras de “requalificação e reparo do passeio para a segurança dos pedestres e a melhoria na acessibilidade para os frequentadores da região”. São 2,1 mil m² de readequação de calçadas entre as Ruas Cristóvão Colombo e São Francisco, na região central da capital.

PERDIZES

Nos arredores da sede da PUC, câmpus de Monte Alegre, o trecho mais perigoso para os estudantes é o da Rua Ministro Godoi. As Ruas João Ramalho e Bartira, conforme relatos, também são outros pontos onde os criminosos têm atuado.

“Nos grupos de WhatsApp, todo dia temos avisos de alunos que foram roubados, perseguidos e até ameaçados com canivete”, diz uma estudante do curso de Administração, que pediu para não ser identificada. Ela teve o celular roubado enquanto conversava com uma amiga. Um grupo de WhatsApp foi criado e já reúne mais de 200 alunos, que trocam informações sobre o fluxo nos arredores da universidade.

Mesmo dentro do carro, uma aluna do curso de Economia da PUC não foi poupada. Ela estava parada, esperando o semáforo abrir, na frente do prédio da faculdade, por volta das 19 horas, quando um rapaz tentou entrar pela porta traseira do veículo. “Na hora, pensei que ele tivesse me confundido com um Uber, mas eu não estava com pisca-alerta nem nada”, comenta.

A PUC-SP disse que, desde o início do semestre, recebeu uma única notificação formal de roubo fora do câmpus Monte Alegre. “Houve denúncias nas redes sociais sobre assaltos na região, mas não há confirmação de agentes públicos e não recebemos relatos específicos na universidade.”

Apesar disso, a reitoria convidou a comunidade acadêmica para participar de reunião online nesta quinta-feira para ouvir os estudantes e encaminhar possíveis soluções. A universidade informou ainda que manteve contato com a Polícia Militar para obter informações e solicitar policiamento preventivo, bem como orientou funcionários para controlar o acesso e a permanência de não integrantes da universidade na área.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.