Andre Lessa/AE
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Assaltos a ônibus de lojistas do Sul em viagem a SP aumentam 170%

Comerciantes com destino ao Bom Retiro, Brás e 25 de Março são atacados por quadrilhas armadas em Santa Catarina e no Paraná

Cida Alves, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Lojistas do Sul que viajam para São Paulo para fazer compras no Bom Retiro, Brás e na Rua 25 de Março estão passando horas de terror nas estradas. Quadrilhas com metralhadoras e pistolas assaltam os ônibus na divisa de Santa Catarina com o Paraná. No primeiro semestre, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 27 assaltos a ônibus nos dois Estados - um aumento de 170% em comparação ao registrado no mesmo período de 2010.  

 

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O número pode ser maior, já que a PRF afirma que algumas ocorrências não chegam ao seu conhecimento. Em cada ação, os ladrões levaram até R$ 150 mil em dinheiro. A maneira de atuar geralmente é a mesma: para fazer com que os ônibus parem no meio da rodovia, eles bloqueiam as pistas com caminhões ou simulam obras.

Na noite de 1.º de junho, três ônibus que saíram em comboio de Criciúma (SC) foram assaltados na BR-376, perto de São José dos Pinhais (PR). Fernando dos Santos Lima, de 27 anos, dirigia o primeiro ônibus. Três quilômetros depois de um posto da PRF havia cones e sinais luminosos na pista. Pessoas com roupas parecidas a dos funcionários da concessionária Autopista, que administra o trecho, sinalizaram para que os veículos parassem.

"Foi quando três homens armados desceram do caminhão que ia na nossa frente e renderam a mim e ao meu colega, que estava dormindo", conta Fernando. Os dois ônibus que vinham atrás tentaram furar o bloqueio, mas foram atingidos por tiros. "Eles rodaram com a gente uns 17 km, até chegar em uma estrada de terra perto da rodovia."

No mês passado, lojistas de Erechim (RS) foram assaltados na BR-153, perto de Água Doce (SC). "Alguns homens estavam na pista parando os carros, como se estivessem fazendo uma reforma no asfalto. Quando chegou a vez do ônibus, ladrões saíram armados do meio do mato e já chegaram atirando", conta Jair Spazzini, de 39 anos, dono da empresa de transporte. Agora as viagens dele só são com escolta, um serviço que pode custar R$ 1 mil.

Trauma. Entre as vítimas, além do prejuízo, fica o medo. Lígia Duarte, de 55 anos, já foi assaltada cinco vezes, mas o último caso foi o mais traumático. Ela e mais 30 pessoas foram presas só de roupa íntima no bagageiro do ônibus. "Além de assustador é muito humilhante. Até comentários sobre a lingerie das mulheres eles faziam."

Duas pessoas foram agredidas com tapas e coronhadas e os bandidos chegaram a dar tiros no veículo. "Já não consigo dormir nas viagens. Se o ônibus para por qualquer motivo, fico com o coração na mão."

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