Assalto a coronel acaba com 3 mortos

Bandidos abordaram oficial da reserva da PM quando ele chegava em casa, no Alto da Lapa; acionada, Rota matou os três assaltantes

BRUNO PAES MANSO, PEDRO DA ROCHA, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2012 | 03h04

Coronel da Polícia Militar na reserva desde 1996, Antônio B. Z. (que pediu para não ter o sobrenome publicado) chegou a sua casa, no Alto da Lapa, na zona oeste de São Paulo, às 22h30, vindo de um clube em Mairiporã. Acionou o controle do portão dez metros antes de entrar na garagem. Um Renault preto com três assaltantes armados e mascarados entrou atrás, antes de o portão fechar. Eles queriam forçar Antônio a abrir a porta de casa. Dentro, estavam sua mulher, filho e sogra.

Oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) por 12 anos quando na ativa, o coronel disse ter pensado que morreria naquela noite. No seu carro havia um broche da Rota. Dentro de casa, boina preta, braçadeira e fotos. "A única certeza que eu tinha é que não deixaria eles entrarem em casa. Minha família estava lá dentro e eu poderia morrer para protegê-los."

O coronel bateu na porta com violência, para a mulher perceber que havia algo errado. Como a fresta da porta é de vidro, ele conseguiu alertá-la do assalto. Do lado de fora da casa, o vigilante Almir já havia percebido o roubo e ligado para o 190. "A polícia chegou em uns 15 minutos."

Nesse intervalo, enquanto o coronel tentava explicar aos ladrões que não tinha a chave de casa e que os familiares estavam dormindo, ele tomou socos, coronhadas de revólveres e chutes na perna. Precisou levar oito pontos na cabeça, teve o óculos quebrado e o rosto cortado. Os ladrões também o forçaram a desligar a luz da varanda.

Foi quando carros da Rota chegaram ao local. Jogaram luz sobre a casa. Os ladrões reagiram com disparos em direção aos policiais. Segundo o coronel, eles portavam uma metralhadora 9 milímetros com carregador duplo e duas pistolas. Alguns tiros, dados de dentro da garagem para a rua, acertaram carros e casas de vizinhos de frente.

Os ladrões tentaram fazer o coronel de escudo. A Polícia Militar atirava de volta. Um dos vizinhos disse que a troca de tiros durou mais de 10 minutos. "No começo, achei que era por causa do jogo de futebol na televisão. Só depois percebi que eram tiros", disse uma vizinha.

O coronel conseguiu escapar no meio dos disparos e correu para o jardim. Mantendo a família em mente, voltou para perto de casa. Os três ladrões foram atingidos. Segundo os policiais, eles morreram ao serem socorridos no Pronto-Socorro da Lapa, também na zona oeste. Havia bastante sangue dentro da garagem e na porta de casa, além de diversos tiros e projéteis.

Violência. Para o coronel, não há nenhuma possibilidade de o caso ter ligação com os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra policiais, no mês passado. "Foi um crime de oportunidade. Eles vieram para roubar. Se fosse do PCC, eu teria sido executado e eles iriam embora", diz o coronel.

O segurança da rua, Almir, diz que, uma semana antes, uma casa havia sido assaltada a poucos metros de distância. Na rua de trás, segundo ele, uma mesma casa foi assaltada duas vezes em menos de 15 dias. "Aqui era seguro. Nos últimos tempos, acho que passaram a visar o local."

Emocionado, o coronel defendeu o trabalho dos policiais. "Qualquer um aqui em São Paulo sabe que estando em perigo, basta ligar para o 190. A polícia pode receber críticas, mas é para ela que pedimos socorro."

Nervosos, os vizinhos também defenderam a Polícia Militar e atacaram a imprensa. Um carro com duas senhoras parou para criticar a reportagem, que aguardava para falar com o coronel. Disse que os responsáveis pelos assaltos eram os "jornalistas", que "defendem bandidos e criticam a PM", além dos "presos políticos, autores da Constituição de 1988".

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