Adaílton Damasceno/Futura Press
Adaílton Damasceno/Futura Press

Clientes e funcionários são feitos reféns em assalto a joalheria

Doze ladrões armados invadiram loja no centro de SP, mas foram surpreendidos pela polícia; houve tiros e 8 conseguiram escapar 

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 13h36

Atualizado às 20h51

SÃO PAULO - Doze bandidos armados com pistolas semiautomáticas invadiram nesta terça-feira, 15, uma das maiores joalherias do centro de São Paulo. Eram 11h40. Dominaram clientes e funcionários. Quando se preparavam para fugir, foram surpreendidos pela polícia. Os ladrões atiraram. Houve correria e, por duas horas, 153 pessoas, segundo a polícia, foram mantidas reféns na loja por dois dos bandidos. Eles acabariam presos com outros dois comparsas – oito escaparam com dois malotes de joias. Três pessoas ficaram feridas.

O alvo dos bandidos era a joalheria João Justino, uma das maiores da Rua Barão de Paranapiacaba. Segundo testemunhas, os 12 ladrões entraram na loja, no segundo andar do Edifício Santa Rosa, e anunciaram o assalto. O bando encheu dois malotes com joias de ouro. Então, o grupo se dividiu. Parte permaneceu com os reféns, fazendo segurança para os colegas que escapavam com o ouro roubado.

A polícia foi avisada instantes depois de o grupo anunciar o assalto. A primeira equipe da Polícia Militar a chegar ao local estava na Praça da Sé. Ela deteve dois assaltantes ainda nas escadas. Quando os dois últimos desciam para o térreo, segundo o capitão Fernando Ferreira Alves, eles deram de frente com os PMs. “Eles fizeram três disparos e se refugiaram na joalheria. Quando vimos que havia reféns, pedimos apoio.” 

As negociações tiveram início com a chegada do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), divisão da PM treinada para essas situações. Mais de 50 policiais trabalharam no caso. O calçadão do centro ficou lotado de curiosos que acompanhavam a ação – e aplaudiram quando os reféns começaram a sair. 

Escudo humano. No interior da loja, funcionários e clientes relataram pânico. “Escolheram dez pessoas para ficar entre eles e a PM, como escudo humano. Fui uma dessas pessoas. Eles disseram que queriam coletes à prova de balas para se entregar. Quando concordaram em entregar as armas, mandaram a gente sair abraçada a eles. Estavam com medo de serem mortos”, disse uma das reféns, a funcionária da loja Ana Paula Medeiros, de 23 anos. 

Os demais clientes ficaram nos cantos da loja, em uma sala de crediário e dentro dos banheiros. “Nos ameaçaram, gritaram, mas ficamos calmos, esperando o que ia acontecer”, disse o joalheiro Carlos Augusto Rosário, de 54 anos, cliente antigo do local. “Minha mãe e minha irmã me ligaram de dentro da loja contando o que estava acontecendo e pedindo socorro, falando que os ladrões estavam mandando chamar a mídia. Estava na Brigadeiro Faria Lima (na zona sul) e vim correndo”, disse Helen Lourenço, de 36 anos.

Ao ouvir os tiros, comerciantes de outras lojas do prédio e clientes de um restaurante que funciona ali ficaram sitiados dentro dos estabelecimentos, esperando o fim da situação. 

“Qualificamos (identificaram) todas as pessoas que estavam no prédio, para nos assegurar de que não havia integrantes da quadrilha escondidos nas lojas”, disse o comandante da Tropa de Choque, coronel Nivaldo Restivo, responsável também pelo Gate.

Nenhum dos feridos foi alvejado por tiros. O caso mais grave foi o de um idoso que teve a orelha ferida por estilhaços. 

Os quatro homens detidos são moradores de cidades do leste da Grande São Paulo, como Suzano e Ferraz de Vasconcelos. Com o quarteto, a PM apreendeu três pistolas. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que registrou a ocorrência, acusou os homens de tentativa de latrocínio (assalto seguido de morte). 


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