Assaltantes levam R$ 9,8 milhões de transportadora de valores

Ladrões usaram explosivos para derrubar uma parede e realizar o assalto milionário

Camilla Haddad, estadao.com.br

07 de agosto de 2007 | 11h18

Nove minutos foram suficientes para um grupo de dez homens encapuzados fazer o maior assalto do ano no Estado e roubar R$ 9,8 milhões da transportadora de valores Prosegur, na Rua Clímaco Barbosa, no bairro do Cambuci, região central da capital paulista. Com fuzis e metralhadores, os bandidos entraram pelos fundos da Prosegur, na Rua Alexandrino da Silveira Bueno, pularam o muro, serraram dois cadeados de uma porta e foram até a tesouraria, onde usaram explosivos para derrubar uma parede. A ação foi filmada pelo circuito interno de TV. Ninguém havia sido preso até as 20 horas. A polícia chegou a dizer que haviam sido levados R$ 20 milhões. No fim da tarde, a empresa divulgou o valor correto. A polícia não descarta a hipótese de envolvimento de funcionários da empresa no roubo. Enquanto os criminosos agiam, por volta da meia-noite desta terça-feira, 7,  havia pelo menos oito empregados na unidade. Eles estavam jantando. Um deles escutou o estrondo dos explosivos e chamou a Polícia Militar. Após a ligação, o funcionário teria se juntado a outros sete e se trancado em guaritas blindadas. Quando os policiais chegaram, o bando já tinha ido embora. De acordo com o delegado Ruy Ferraz, titular da Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), na tesouraria o dinheiro é separado até ser colocado nos carros-fortes. Ferraz disse que havia um cofre em uma sala ao lado, onde o grupo não entrou. "Eles não se preocuparam com o cofre porque não queriam perder tempo e colocar a operação em risco."  As fitas do circuito interno de TV estão com a polícia, mas não foram divulgadas para não atrapalhar as investigações. As imagens mostram o momento em que os ladrões detonaram os explosivos. O delegado explicou que os criminosos usaram um gel explosivo, muito encontrado em pedreiras da Grande São Paulo. "Ainda havia um pacote desse gel, que foi detonado no local pela polícia." Apesar de a participação de funcionários não estar descartada, Ferraz acredita que o bando pode estar ligado a uma outra quadrilha que já roubou bancos na Penha, zona leste da capital. "O que posso dizer é que esses caras que roubaram o dinheiro conheciam bem o lugar, sabiam tudo sobre a empresa e estavam muito bem preparados." Durante o dia, os funcionários estavam apreensivos e ninguém quis falar sobre o caso. Nos arredores do prédio, seguranças armados da empresa faziam rondas. Por volta das 15 h, três peritos estiveram no local. Um rapaz que trabalha ao lado da Prosegur disse que a explosão não chamou atenção porque nos arredores existem apenas galpões industriais, que funcionam em horário comercial. "Esta rua tem pouco movimento e de noite é bem escura. Poucos passam por aqui." A dois quarteirões da empresa ficam os quartéis do Exército e da Aeronáutica. A transportadora informou que na unidade trabalham 800 pessoas. Segundo a Prosegur, a identificação do dinheiro será complicada, pois as notas não estavam numeradas em série. Outro grande roubo a transportadora de valores em São Paulo aconteceu em 11 de maio de 2004, na Lapa, zona oeste da cidade. Pelo menos 20 ladrões levaram R$ 9 milhões da Rodoban Transportes Terrestres e Aéreos. Eles alugaram uma casa vizinha e fizeram um buraco na parede de um dos quartos para entrar na empresa. Em 11 de outubro do mesmo ano, um bando levou R$ 4 milhões da Transbank, na Penha. Eles entraram no prédio por um túnel.

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