Assaltantes explodem fábrica de joias no RS

Na fuga, bando fez 9 reféns, que foram liberados à noite; três suspeitos morreram

LUCAS AZEVEDO, PORTO ALEGRE , O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h01

Oito criminosos explodiram na madrugada de ontem uma fábrica de joias em Cotiporã, cidade serrana do Rio Grande do Sul, a 169 quilômetros de Porto Alegre, em uma ação que teve tiroteio com a Brigada Militar, morte de três assaltantes e fuga com nove reféns. No fim da noite, as vítimas foram encontradas pela polícia, mas até a meia-noite os ladrões não haviam sido presos.

Durante todo o dia, dezenas de policiais com cães e helicópteros vasculharam a mata serrana atrás dos assaltantes, que estavam divididos em dois grupos. Ao menos dois estariam armados com fuzis. "Eles estão a pé e sem alimentação", avalia o capitão Juliano André Amaral, da Brigada Militar.

O assalto começou por volta das 2 horas, quando dois integrantes da quadrilha, mascarados e armados com fuzis, invadiram uma lanchonete perto da fábrica. Eles exigiram que os cerca de 30 clientes entregassem seus celulares e retirassem os sapatos e avisaram que ninguém sairia ferido se obedecessem, já que o alvo era a empresa.

O resto do grupo colocava dinamite em três portas blindadas, um cofre e dois armários de alta segurança da fábrica Guindani. Segundo testemunhas, foram cerca de dez explosões. A força das detonações destruiu parte do prédio, deslocando um cofre inteiro de um andar para outro, e deixando o chão cheio de pedaços de ferro, tijolos e joias.

Os criminosos carregaram três carros (um Audi, um Fiat Strada e um Astra) com o produto do roubo. No bar, clientes também foram colocados nos veículos. Os oito criminosos levaram os reféns na fuga em direção à cidade de Bento Gonçalves. Porém, no caminho, a cerca de 15 quilômetros do centro de Cotiporã, foram interceptados em uma barreira de policiais.

Na troca de tiros, três assaltantes foram mortos: Elisandro Rodrigo Falcão, de 31 anos, procurado número um da polícia gaúcha, Paulo César da Silva e Sérgio Ritter. O segundo não tinha registro na polícia e o terceiro, passagem por tráfico de drogas.

Enquanto isso, os reféns tentavam se proteger do fogo cruzado entre a polícia e a quadrilha. Duas jovens não conseguiram escapar do bando e foram levadas, a pé, por um criminoso armado para dentro do matagal.

Os bandidos em um dos carros voltaram em direção a Cotiporã e entraram em uma estrada vicinal. Os bandidos encontraram um sítio, onde sete pessoas, todas da mesma família, dormiam. Trocaram de carro e levaram todos os moradores como reféns, entre eles uma criança.

Às 22h50, Brigada Militar informou que os reféns foram encontrados na mata na Linha Santa Lúcia, perto do sítio.

Dinamite. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi chamado para lidar com explosivos deixados pelos criminosos.

Segundo um dos donos da fábrica Guindani, que pediu para não ser identificado, não foi possível contabilizar o que foi roubado, já que havia muitas joias entre os escombros. Mas ele disse que, depois das últimas três tentativas de assalto à empresa, a instrução para os funcionários é deixar o menor número possível de peças no local. Ele descarta a possível participação de antigos empregados no ataque.

Segundo o empresário, câmeras de segurança gravaram parte da ação dos bandidos. Chamou a atenção a preocupação de um dos criminosos com a imagem de uma santa, dentro da fábrica. "Um deles, talvez devoto, teve o cuidado de proteger a imagem, retirando ela do local da explosão. A santa está intacta, ao lado do buraco na parede."

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