Às vésperas do Natal, dez igrejas ganham proteção

Condephaat analisou dezenas de processos - alguns acumulados desde os anos 1960; 9 paróquias ficam no interior e uma na capital

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h02

Dez igrejas do Estado vão começar o ano protegidas. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) decidiu tombar 4 edifícios religiosos e abrir estudo de tombamento para outros 6. Do total, 9 ficam no interior e 1 na capital. Arquitetura, altares e pinturas deverão permanecer intactos e intervenções só poderão ser feitas com autorização prévia.

O tombamento foi resultado de dois anos de trabalho. Segundo o parecerista e professor da USP Francisco Alambert Júnior, havia pedidos acumulados desde a década de 1960. Dos mais de 40 processos, chegou-se à lista final, que representa 19% do total de edifícios religiosos tombados no Estado. "Os que ficaram de fora foram recomendados aos patrimônios locais."

Para o especialista em Arte Sacra Percival Tirapeli, esses casos mostram que a entidade está voltando seu olhar para o século 19, quando o Estado se firmou financeiramente. "Não são apenas as construções coloniais que merecem proteção. Ainda mais em São Paulo, onde o eclético e o moderno são tão presentes."

Tirapeli foi um dos especialistas contratados pelo Condephaat para criar uma metodologia de avaliação do patrimônio sacro-moderno. Os critérios não se restringiram à arquitetura. "A importância na comunidade e a história da igreja também são levadas em consideração." Pinturas, altares, imagens e o estado de conservação também foram determinantes para o processo de tombamento.

Um dos principais nomes das Artes Plásticas paulistas no fim do século 19 e início do 20, Benedito Calixto é responsável por obras em algumas das igrejas recém-tombadas. Na Matriz de São João Batista, em Bocaina, a 300 km da capital, por exemplo, há 13 telas sacras do pintor.

O exemplar da capital fica no Glicério, região central. É a Paróquia Nossa Senhora da Paz. "Ela é excepcional. É uma pequena Itália dentro de São Paulo. E o mais importante: sua vocação de acolher imigrantes continua", diz Tirapeli. Alambert concorda: "É uma igreja peculiar. Símbolo do catolicismo modernizado".

Preservação. Tombamento e abertura de processo garantem proteção, mas não asseguram a manutenção, lembra Alambert. "É só uma declaração de valor. O Estado tem suas obrigações diante dos bens tombados, mas os donos é que são responsáveis pela preservação."

É exatamente isso o que preocupa o padre Nivaldo Resstel, do Santuário Sagrado Coração de Jesus, em Vera Cruz. "Não fazem e não deixam fazer. Não queremos proteção, queremos manutenção."

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