Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Às vésperas de decreto, GCM deixa de atuar em diversos locais

Em pelo menos 5 pontos de população de rua, visitados pelo ‘Estado’ e pela Igreja Católica, não houve ações de remoção

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Diferentemente de outros dias, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) não fez operações para retirada de colchões e outros pertences dos moradores de rua em duas regiões visitadas pelo Estado ontem e em outras três áreas atendidas pela Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica – que denunciou a morte de pelo menos cinco pessoas ao relento, em menos de sete dias, por causa do frio intenso na capital paulista. 

Na Praça da Sé, na região central, os colchões, cobertores e outros objetos continuavam espalhados em diversos lugares por volta das 8 horas. A retirada de colchões e papelões foi o centro da discussão em relação ao atendimento da população de rua pela gestão Fernando Haddad (PT), como o Estado vem mostrando nesta semana. Na Praça 14 Bis, também no centro, moradores se surpreenderam com a falta de movimentação. A Prefeitura nega mudanças na rotina do efetivo. 

Por volta das 6 horas, havia pelo menos 30 pessoas dormindo em todos os cantos da Sé, da banca de revista à escadaria da catedral. Mesmo sem nenhuma pressão, alguns começavam a acordar e deixar o local. “Não é todo dia que tem guarda. Mas a gente já fica esperto”, diz Ademir Souza, de 46 anos. 

Minutos depois de o sol aparecer, um caminhão de limpeza com jato d’água passa pelo local. “Temos orientação de não mexer com eles. A gente avisa que está passando e às vezes, se estiver muito sujo, pedimos licença”, diz um funcionário, que pediu para não ser identificado. José Souza, de 62 anos, concorda: “São muito educados”. 

Já por volta das 7 horas há a primeira saída em massa. É quando a Catedral da Sé abre as portas e um segurança se põe à vista. No local havia pelo menos dez moradores dormindo. “Eles já sabem como funciona e vão embora. Não há problema.” 

Na Praça 14 Bis, moradores relataram surpresa com a “tranquilidade”. “Acho que estão com medo. Vamos ver se vai ficar assim, tranquilo, nos outros dias”, disse Raimundo Souza, de 48 anos. 

Igreja. Locais visitados pelo padre Júlio Lancellotti, da Pastoral Povo de Rua, também não registraram operações. “Não apareceu ‘rapa’ no Belém, na Mooca nem no Ceagesp (zona oeste). Eles recuaram porque amanhã (hoje) sai o decreto do prefeito. Estão com medo, retrocederam”, disse ele. “É um absurdo precisar de um decreto para ter bom senso.”

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