AS TRIBOS QUE FORMAM A CARA DO IBIRAPUERA

Reportagem mapeou 20 grupos que frequentam - nem sempre harmonicamente - o parque de SP

LUÍSA ALCALDE , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2012 | 03h04

O Parque do Ibirapuera está "loteado". Nesta semana, com ajuda de usuários, funcionários e ambulantes que trabalham na área verde, a reportagem mapeou 20 das principais "tribos" que frequentam o espaço de 1,5 milhão de metros quadrados. E chegou à conclusão de que nem sempre a convivência desses grupos entre si ou com os demais usuários - que chegam a 120 mil nos domingos ensolarados - é harmoniosa.

Foi possível distinguir os locais onde cada uma dessas tribos costuma se encontrar, como a dos skatistas, corredores, cachorreiros, batuqueiros, entre outras. Dependendo da atividade, esses agrupamentos podem juntar até 100 pessoas, como no caso dos corredores.

Skatistas. Um exemplo de grupo que provoca protestos dos demais usuários são os skatistas, em razão dos acidentes que os praticantes desse esporte costumam causar.

Pensando em evitar conflitos, a direção do parque tem se reunido com representantes dessa tribo para estabelecer outro local onde eles poderão se exercitar sem colocar em risco a integridade dos demais.

Hoje, os skatistas downhill ocupam principalmente a Ladeira da Preguiça e os streets, a área da marquise. Mas, em geral, há praticantes de skate no parque todo. Uma das propostas da administração é concentrá-los em uma rua na frente do Museu de Arte Moderna (MAM), margeando o lago, segundo o administrador do parque, Heraldo Guiaro.

Corredores. Treinadores de corrida também estão em constante diálogo com a direção, uma vez que comparecem com pelotões de corredores nos fins de semana. Até um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado com a direção para estabelecer regras para esse tipo de prática no parque.

"Eles não podem colocar colchonetes na grama, só correr em fila indiana", afirma Guiaro. Ainda assim, há quem reclame. "Eles colocam garrafões de água e outros equipamentos nos bancos ao longo do parque todo. A gente tem de ficar procurando um vazio para poder sentar", diz Ilza Cristofolleti, de 60 anos.

Emos. Manoel Araújo, de 56, garçom do restaurante The Green, diz que nos fins de semana os frequentadores costumam reclamar da música alta que grupos de jovens costumam ouvir sob a marquise. "As vezes junta mais de 50 deles", conta. Ele se refere à tribo dos emos - gênero caracterizado pela musicalidade melódica.

Cachorreiros. Os cachorreiros que marcam o território no gramado do lado esquerdo da Praça do Porquinho também preocupam. "Nem todos que trazem para passear raças tidas como violentas vêm com a focinheira exigida por lei. Por isso, os vigilantes são orientados a ficar de olho", afirma Guiaro.

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