'As surras foram com pedaços de ferro e cassetetes com parafusos'

Carta assinada por dez pais e mães de jovens da unidade Jatobá denuncia agressões; Corregedoria investiga relatos

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2012 | 03h04

Adolescentes internados e seus pais enviam cartas à Defensoria Pública para fazer denúncias de maus-tratos por parte dos funcionários das unidades da Fundação Casa. O Estado teve acesso a uma delas, datada do dia 28 de junho. Assinada por dez pais e mães de jovens que cumprem medida na unidade Jatobá, na Rodovia Raposo Tavares, zona oeste, ela traz relatos de tortura e agressões. Pede também que os funcionários sejam afastados.

"No dia 12 de abril esses meninos foram torturados e agredidos pelo grupo de apoio. As surras foram feitas com pedaços de ferros e paus, cassetetes com parafusos pregados nas pontas dos mesmos. A crueldade foi tanta que alguns meninos desmaiaram várias vezes", diz o relato. A carta descreve ao menos outros cinco supostos espancamentos.

A mesma unidade já tinha sido alvo de denúncias dos próprios adolescentes no ano passado. Eles escreveram uma carta aberta afirmando que havia sido fixado um tempo máximo de 60 minutos para o banho dos 35 adolescentes de uma das alas - ou seja, menos de 2 minutos para cada um. "A água é desligada mesmo não tendo feito (sic) a higienização corporal de todos", afirmaram os internos.

A Corregedoria da Fundação está investigando se os relatos são reais ou não e se funcionários serão punidos. "Sempre que existem denúncias de agressões, esses casos são investigados. Quando as denúncias se repetem, às vezes há necessidade de intervenções", afirma a presidente da Fundação Casa, Berenice Giannella. / B.P.M. e R.B.

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