As ruas aonde o mutirão do Kassab ainda não chegou

Prefeito anunciou há um mês ''virada'' na zeladoria da cidade; nesse período, foram resolvidas 16 de 48 queixas recebidas pelo ''Estado''

Jerusa Pereira e Tatiane Matheus, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2010 | 00h00

Com o objetivo de apurar se o mutirão da Prefeitura para melhorar as condições da cidade surtiu efeito, a coluna São Paulo Reclama acompanhou no último mês todas as queixas recebidas sobre serviços de zeladoria, como limpeza de bueiros, recapeamento de ruas, poda de árvores, entre outros. Das 48 reclamações recebidas pelo "Estado", apenas 16 foram resolvidas.

Os cidadãos, cansados de entrar em contato com os órgãos responsáveis sem ter o problema resolvido, acabam enviando a reclamação ao jornal. Muitos desses casos são respondidos somente após a coluna entrar em contato com os responsáveis. Há casos em que o problema se estende por meses.

Há um ano, a decoradora Áurea de Faria pede à Prefeitura, à Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros para que evitem a queda de uma árvore na Avenida Rouxinol, 1.060, em Moema, zona sul. "Está condenada, cheia de cupins, e deve cair a qualquer momento", diz Áurea. "Um engenheiro da Prefeitura esteve no local há cerca de 25 dias, tirou fotos e comprovou que é preciso fazer algo, mas disse que, por ser área de preservação, não podia fazer nada", explica.

Áurea chegou a ligar para a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e foi informada de que só faltava a assinatura do secretário Eduardo Jorge para que a árvore fosse retirada. "Nós, moradores, fizemos até um abaixo-assinado. Estão esperando que ela caia para tomar providências cabíveis?"

Medo de chuva. Outra árvore que deve cair em breve, não por falta de aviso aos órgãos responsáveis, fica na Rua Doutor Costa Junior, na altura do número 281, na Barra Funda, zona oeste. "Na base da árvore há um orifício enorme, onde se formou uma colônia de cupins e os galhos estão apoiados na fiação elétrica", diz o advogado José Eduardo Savoia. "Na primeira chuva, ela deve cair", afirma. "Há três meses levei documentos de propriedade do imóvel na Subprefeitura da Lapa. Mas o órgão diz ser problema dos bombeiros e esses dizem ser da subprefeitura", explica. "Nesses últimos 30 dias, houve cinco remoções de árvores na região por causa do mesmo problema. Como cidadão, fico triste, pois algo poderia ser feito antes que o pior aconteça."

O paisagista Renato Mancini e seu vizinho, o jornalista e fotógrafo Luis Carlos Amaral Kfouri, que moram na Rua Carapuruí, na Lapa, cansaram de pedir à Subprefeitura a poda das árvores dessa rua. "No site, eles dão o serviço como concluído, o que não é verdade", diz Mancini. "O risco de se causar um desastre aumenta à medida que o tempo passa", diz Kfouri, que envia reclamações desde fevereiro.

Mato na pista. A falta de serviço básico na cidade fica evidente ao se deparar com o mato de quase dois metros de altura que invade a pista da Avenida Escola Politécnica, no trecho entre a Rodovia Raposo Tavares e a Avenida Corifeu de Azevedo Marques. "Há mais de um ano não é feito o trabalho de poda do mato no canteiro central", afirma o engenheiro Apparicio Mello.

Segundo ele, em alguns pontos há acúmulo de lixo e entulho, que servem de abrigo para ratos e insetos. "A última solicitação de manutenção que fiz foi em 3 de fevereiro e, como não foi atendida, fiz outra reclamação na Ouvidoria da Subprefeitura do Butantã. Para minha surpresa, a solicitação foi baixada do sistema em 16 de abril como serviço efetuado, quando, na verdade, nada foi feito", conta o engenheiro.

Mesmo com as enchentes que castigam a cidade, a limpeza de bueiros não é feita de forma satisfatória, defende a advogada Sandra Aparecida da Silva. Ela coleciona protocolos pedindo a limpeza nos bueiros da Avenida Presidente Wilson, Mooca, na altura do número 3.627. "Com qualquer chuva, a região fica alagada", diz. A última reclamação da leitora à coluna, feita em 13 de abril foi respondida no dia 14 de maio pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, que disse que a limpeza é feita mensalmente, após o Estado informar que iria publicar a queixa.

Buracos no caminho. Paciência é o que a publicitária Patrícia Bellucco cultiva na espera pelo recapeamento de dois buracos nas Ruas Salvador Sala e Isette Caiubi Ariani, em Pirituba. Ela protocolou queixa há um ano. "Na semana retrasada, jogaram um pouco de asfalto para tapá-los, mas não passaram a máquina, pois dizem estar quebrada."

A auxiliar administrativa Juliana Sales diz que está cansada de esperar por uma solução em relação ao recapeamento da Rua dos Curimbatás, no Parque Lago. "Em 2008, foi feita uma obra para a canalização do córrego que corta o bairro e a rua foi usada como canteiro de obras", explica. Diz que os moradores pagaram pela retirada do mato, que em breve vai crescer, pois a rua ficou sem asfalto e calçadas por causa da obra.

Felizmente nem todas as reclamações são ignoradas pelo poder público. Depois de cinco meses de abandono, no dia 10 de maio, a Subprefeitura da Lapa limpou e cortou o mato das praças e áreas verdes do bairro de mesmo nome. A publicitária Vera Arruda Esteves chegou a mandar até fotos ao Estado do mato e sujeira que cobriam praças da região e ficou surpresa quando, nesta semana, o serviço foi feito.

À espera. A coluna São Paulo Reclama enviou as queixas à Prefeitura e, antes de concluir a reportagem, cobrou um novo posicionamento da administração sobre aquelas que não foram respondidas. Dos casos apresentados, três permaneceram sem resposta: o de José Eduardo Savoia, o dos vizinhos Renato Mancini e Luis Carlos Amaral Kfouri e o de Juliana Sales. Em relação aos outros casos, apesar de encaminhar as respostas, os problemas não foram solucionados.

Queixas

As reclamações dos leitores:

48

foi o total de reclamações relativas à zeladoria da cidade

16

casos foram solucionados pela Prefeitura

24

problemas não foram resolvidos

8

casos não tiveram desfecho confirmado

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