As redes sociais e o linchamento público

Cenário: Heloisa Lupinacci

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h04

Com poucos cliques é possível levantar dados sobre qualquer pessoa. Essa facilidade levou à recente exposição da enfermeira filmada espancando seu cachorro até a morte. A mulher, que já responde pelo ato, foi ameaçada de diversas formas no Facebook. Usuários da rede querem puni-la eles mesmos. Geram violência duplamente, ao espalhar o registro do espancamento e ao pregar a violência como justa punição.

Há alguns meses, usuários da mesma rede compartilham o link para um blog que prega a morte de homossexuais e incita o estupro de mulheres. O grupo é liderado por um homem que também teve seus dados expostos na rede. A intenção, nesse caso, é tirar o blog do ar. Lola Aronoich, do blog Escreva, Lola, Escreva, diz que foram incluídas fotos de cachorros torturados e mortos.

Dois elementos unem as histórias: a mobilização causada por maus-tratos a animais e a exposição de dados pessoais. A enfermeira está sendo responsabilizada oficialmente. Já o blog continua no ar e seu autor segue sem responder por seus atos. Impunes ou não, é justo que dados de alguém sejam divulgados para promoção de linchamento público ou deveriam ser encaminhados às autoridades?

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