As raízes do Brasil vistas pela Osklen e pela Maria Bonita

Há algo em comum entre o minimalismo da Osklen e da Maria Bonita. As duas marcas (cariocas) interpretam de alguma maneira as raízes de um Brasil: a relação com o negro africano (Osklen) e com o império Portugal (Maria Bonita). Vendo à distância, a proposta gira em torno de linhos e sedas rústicas, tons de cru ou branco, modelagem mais longe do corpo, como se a roupa gravitasse em torno dele.

Lilian Pacce, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Mas é fascinante ver a pesquisa de material dos dois estilistas em questão, Oskar Metsavaht e Danielle Jensen. A Maria Bonita arremata seus tricôs dublados com uma seda resinada que você jura que é látex, faz crochê com fios de ouro e roupas com técnica de tapeçaria arraiolo. Até os sapatos vêm com este valor especial do feito à mão, pintados ou bordados. Tudo muito delicado, como os chapéus que podem ser sobrepostos. E o Fado Tropical, música de Chico Buarque que dá voz ao desfile, é sutil, representado por uma pedra âmbar amarela e uma de jade verde na alça do macacão. Oskar também usa o ouro como aliado para mostrar seu "Royal Black". A renda incorporada pelas baianas ganha versão pixelada no tecido ou no metal dourado, tão fina quanto tecnológica, formando roupas, chapéus e óculos. A sacaria se transforma em item de luxo em suas construções sensuais de ráfia de seda. Os acessórios são capítulo à parte, com ótimas sacadas.

Fica clara a possibilidade de uma nova elegância, cool, chique e sofisticada. Uma elegância como aquela que Chanel aprendeu com o namorado, o duque de Westminster, quando ele deu a ela caixa de prata revestida de ouro por dentro: o verdadeiro luxo é aquele que não se vê, é aquele que está no avesso.

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