Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Quem faz isso não gosta da cidade, diz Doria sobre tinta em estátua

Monumento em homenagem ao apóstolo Paulo, que dá nome à cidade, amanheceu com tinta vermelha na Praça da Sé; grupo entregou mapa do grafite na capital

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2017 | 09h54
Atualizado 25 Janeiro 2017 | 11h32

SÃO PAULO - Uma estátua em homenagem ao apóstolo Paulo, que dá nome à cidade de São Paulo, amanheceu pintada com tinta vermelha na Praça da Sé, na região central, nesta quarta-feira, 25, dia do aniversário da cidade. Para o prefeito João Doria, o autor do ato não "tem amor próprio" e "fé".

O jornalista Pedro do Amaral Souza foi detido em flagrante por um guarda civil metropolitano (GCM) e levado a uma delegacia, onde assinou um termo circunstanciado e foi liberado.

Acompanhado do arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, Doria depositou flores no pé da estátua e falou sobre a pintura. "Depositamos as flores aqui não só em homenagem, mas em solidariedade à tristeza que é. Isso é o vermelho do sangue", afirmou o prefeito.

"As pessoas que fazem isso não gostam da cidade de São Paulo. São pessoas que agridem a nossa cidade. São pessoas que não amam São Paulo. E por não amar São Paulo também não tem amor próprio. Quem não tem amor próprio não tem fé."

O prefeito afirmou que pediu ao prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, que mantivesse a pintura exatamente como foi feita na madrugada. Na sequência, funcionários da Prefeitura iniciaram a limpeza do monumento.

Antes, Doria havia participado de um ato cívico em homenagem ao aniversário da cidade no Pátio do Colégio, local de fundação de São Paulo, em 1554. 

Cidade Cinza. Um pequeno grupo da Rede Minha Sampa carregava cartazes com  os dizeres "Cidade Cinza" e a foto do prefeito com o rosto pintado de cinza, alusão aos grafites da Avenida 23 de Maio que foram apagados pela gestão do tucano.

O grupo entregou a Doria um mapa com um levantamento de mais de 100 grafites na cidade de São Paulo. O prefeito conversou com os manifestantes, recebeu o mapa e subiu pela escadaria principal da Catedral da Sé para participar de uma missa na igreja. Veja o vídeo abaixo:

"O que vocês defendem é a arte, não é a pichação. A pichação não é arte, é destruição", disse o tucano. "Eu peço que os pichadores preservem, não mutilem as obras daqueles que, como grafiteiros, como muralistas, fazem arte urbana, que é um valor importante da cidade."

Moradia. Também na Praça da Sé, cerca de 200 manifestantes ligados à Central de Movimentos Populares (CMP) protestaram contra o prefeito e a falta de moradias populares na cidade.

"O prefeito não apresentou nenhuma proposta para a construção de moradia popular e ainda avaliou como positiva a ação da Policia Militar na reintegração de posse da ocupação Vila Colonial, em São Mateus, no dia 16 de janeiro, executada com extrema crueldade e violência", divulgou o grupo nas redes sociais.

A CMP classificou Doria como "higienista" e "populista". "Vamos alertar a população, que o governo João Doria representa somente os interesses do mercado e da especulação imobiliária, dos automóveis, dos shoppings, da privatização dos espaços públicos e de ataque aos direitos sociais."

"Suas primeiras medidas são semelhantes às realizadas em 1902, pelo prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, que em nome do embelezamento da cidade praticou atrocidades contra a população pobre, com ações higienistas, como as que Doria esta adotando contra os moradores em situação de ruas, dependentes químicos e trabalhadores ambulantes e ao que ele considera como feio", declarou o coordenador da CMP, Raimundo Bomfim.

Alvo do protesto, Doria deixou a igreja pela saída lateral e rapidamente entrou em um carro, sem falar com a imprensa. Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que acompanhou o prefeito na missa, saiu pelos fundos da catedral. Manifestantes, alguns deles vestidos de preto, jogaram cones e pedaços de pau no carro do governador.

Manifestações contra governador e prefeito no aniversário da cidade de São Paulo são comuns. No ano passado, o então prefeito Fernando Haddad (PT) e Alckmin foram hostilizados na Sé em atos que protestavam contra o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem. O petista foi atingido por uma garrafa pet enquanto dava entrevista a jornalistas.

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