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As histórias da Casa Verde e do Limão

De um limoeiro na divisa com a Freguesia do Ó surgiria o nome de um dos bairros mais famosos da zona norte

O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2015 | 18h11

Casa Verde. No século XVII, havia uma propriedade de 200 alqueires às margens do Rio Tietê. Ela pertencia a Amador Bueno, um dos grandes líderes coloniais da época, e sua mulher, Bernarda Luís Camacho. No futuro essas terras seriam repartidas em sítios e chácaras e teriam diversos proprietários e funções, com cultivo de trigo, café, chá e uva. Tudo isso antes de serem convertidas no bairro da Casa Verde. 

Quando boa parte da fazenda estava nas mãos do militar José Arouche de Toledo Rendon, descendente de Amador Bueno, o lugar recebeu o nome de Casa Verde e há para isso ao menos duas teorias. A primeira é a de que sempre passavam férias por ali, no "sítio da casa verde", umas moças solteiras e parentes de Rendon e de quem ele cuidava.

Há historiadores que afirmam terem sido essas moças todas irmãs do militar. Outros dizem que eram suas filhas. De todo modo, sabe-se que as meninas eram populares entre os estudantes da faculdade de direito da USP, da qual Rendon foi o primeiro diretor. E a família vivia por ali, perto do Pátio do Colégio, em uma casa verde ou de janelas verdes - daí viria o segundo palpite para a origem do nome.

Dizem, também, que em 1794 o tenente-coronel mandou para um irmão, em Lisboa, uma caixa de café produzido no sítio. Nos anos seguintes, outros donos do lugar foram Francisco

Antonio Baruel (pai do famoso farmacêutico) e João Maxwell Rudge, cujos herdeiros decidiram lotear a região no começo do século XX, desencadeando a transformação da área em bairro. 

Em uma rápida cronologia, consta que em 1913 o primeiro lote foi vendido e o empreendimento recebeu o nome de Vila Tietê, mas continuou sendo conhecido como casa verde. Dois anos depois, os irmãos Rudge construíram uma ponte de madeira sobre o Rio Tietê. Ela só seria transformada em um viaduto de concreto, como conhecemos hoje, na década de 1950. Entre 1922 e 1937 chegam ao bairro, pela ordem, o bonde, a Igreja de São João Evangelista, a Paróquia Nossa Senhora das Dores e a luz elétrica.

Veja uma foto da fazenda de Arouche, na Casa Verde, neste link do Acervo Estadão.

Limão. Em meados do século XIX, viviam nos sítios e chácaras que dariam origem ao bairro famílias de portugueses e italianos. Há também duas hipóteses sobre o nome do bairro: 1) teria surgido do hábito dos moradores da Freguesia do Ó, que diziam ir às plantações da região procurar limão para comprar; 2) quando a Freguesia do Ó começou a se expandir em direção ao que hoje conhecemos como Limão, os primeiros a chegar teriam encontrado um pé de limão-bravo na "fronteira".

O primeiro loteamento do terreno foi feito pela imobiliária Mateo Bei, em 1921, mas já se referiam notícias de jornal ao bairro do Limão muito antes disso, no fim do século XIX, como parte da Freguesia do Ó. A primeira linha de ônibus (vinda da Barra Funda) e a primeira igreja do bairro chegaram respectivamente em 1935 e 1939. 

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