'As cidades podem aprender umas com as outras'

Para fundador do Comitê das Novas Cidades, as metrópoles do futuro devem prover boas leis, infraestrutura e cultura

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

04 Junho 2013 | 02h04

A partir de hoje, São Paulo recebe o New Cities Summit (Comitê das Novas Cidades), um encontro de líderes globais que tem o objetivo de discutir problemas enfrentados pelas cidades e trocar experiências sobre como resolvê-los. Mais de 700 pessoas, entre empresários, acadêmicos e políticos, confirmaram presença. A capital foi escolhida como sede do evento por ser "dinâmica, criativa" e, claro, por ter uma série de problemas, segundo o presidente da New Cities Foundation, John Rossant.

Qual o objetivo do New Cities?

A ideia é juntar de 700 a mil dos mais importantes líderes globais no campo das cidades: governantes, acadêmicos, empresas que trabalham com transportes, finanças, tecnologia. Em geral, prefeitos e seus secretários tendem a tomar decisões apenas entre si. Mas os problemas são tão grandes que o privado tem de colaborar com o público. Cidades dependem de colaboração.

Por que São Paulo como sede? A primeira reunião do comitê foi ano passado em Paris e foi um grande sucesso. Sentimos que deveríamos trazer a discussão para o Hemisfério Sul. E São Paulo pareceu ser a melhor escolha. É uma cidade com muitos problemas, claro, mas também muito dinâmica e criativa. E nós precisamos olhar para os problemas. Não podemos fugir deles.

Que lições São Paulo pode tirar? Não viemos para São Paulo para dizer: "Vocês devem fazer isso, isso e aquilo". Isso seria completamente errado. Por outro lado, estamos trazendo especialistas de 38, 39 países que estão olhando para alguns dos problemas que vocês enfrentam aqui: trânsito, violência, falta de planejamento. Hoje, mais da metade da população do mundo vive em cidades. E as cidades podem aprender umas com as outras. Por exemplo, Bogotá fez vários avanços na área de transporte público. E Nova York está aprendendo com eles. O objetivo é dividir informação.

O que a cidade do futuro deve ter?

Uma cidade deve prover infraestrutura, bom ambiente de leis e cultura. Cultura é uma coisa muito importante. Novas cidades estão sendo construídas todos os dias, mas em algumas há falta de cultura. Você precisa alimentar a mente das pessoas. E isso é outra coisa que faz de São Paulo uma cidade tão excitante: sua vida cultural muito rica.

As questões urbanas devem se tornar mais importantes? Sim, com certeza. Se você olhar para a Primavera Árabe, no ano passado, é um fenômeno essencialmente urbano. Revela uma cidade que não funciona bem. / TIAGO DANTAS

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