Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

As ceias de quem faz as mesas do Natal

Saiba como as pessoas que trabalham organizando as comemorações se preparam para a festa

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Horas de dedicação para temperar, cozinhar e deixar tudo impecável para a ceia de Natal da família. De desconhecidos. Assim é a rotina de quem trabalha em locais que oferecem encomendas de pratos prontos. Mas como fica a refeição natalina de quem trabalha preparando ceias?

É com organização e ajuda de parentes que a analista de controle de qualidade de pratos prontos da Casa Santa Luzia Célia Meloni de Brito, de 39 anos, consegue fazer com que a tradição da ceia seja mantida. Nesta época do ano, ela, que supervisiona os pratos, faz uma jornada intensa que vai das 7 horas até a meia-noite. “Faço as compras com antecedência e quem faz a ceia é a minha sogra. Ela é muito animada para isso.” Ela diz que o peru e a farofa não podem faltar na ceia. E a uva passa não é assunto para polêmica. “Por mim, pode ter uva passa. Eu adoro o sabor agridoce. Só não gosto de cebola.”

Célia trabalha no mesmo lugar que o marido, o confeiteiro master Cosme Ribeiro de Brito, de 39 anos. “A gente está ‘chorando’ para ele fazer um brownie de sobremesa. Estamos torcendo para que ele tenha um tempinho”, brinca.

Se depender de Brito, a sobremesa está garantida. “Vai dar tempo, eu sempre consigo.” O confeiteiro diz que a rotina pesada vale a pena por levar uma refeição saborosa para as outras pessoas. “Eu me sinto realizado, porque gosto de ver a mesa farta, bonita, chamando um início bom de ano. A gente sabe que é gostoso e, se faz bem na minha família, faz bem para a família dos outros também.”

Com 15 anos de profissão, a chef da empresa Leve e Pronto Elaine Sá, de 40 anos, conta que o preparo com antecedência é o seu segredo para garantir o preparo de pratos saborosos para a família. “Ao longo da minha carreira, trabalhei desde bistrô até hospital. Aqui, é focado em alimentação saudável. Como sempre trabalhei nesta época do ano, já deixo a minha ceia de Natal no pré-preparo. Na segunda, deixo grão de bico de molho, bacalhau dessalgado, carne temperada”, explica.

As delícias natalinas são levadas para a casa da sogra, que mora em Santo André. “A comida tem o poder de encantar. Consigo cozinhar para a minha família e para os clientes com a mesma atenção e carinho.”

Salmão na folga. Chef do La Grassa, Felipe Almeida, de 31 anos, também vai preparar com antecedência um salmão que vai levar para a ceia da família. “Vou comprar o peixe na segunda, que é minha folga, temperar e deixar quase pronto para finalizar na casa da minha tia.”

De terça em diante, ele se dedica ao trabalho. “Ao servir as outras pessoas, o que me inspira é deixá-las felizes. Sempre que vou fazer um cardápio, eu me lembro de fazer uma comida bonita, boa, com sabores marcantes para aquela data. Queremos trazer as lembranças de criança, de quando os pais faziam a ceia. A jornada é intensa, mas dá satisfação para o cliente.”

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