AS CARTAS

Trecho de correspondência escrita por Gil Rugai

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h02

"Hoje minha cota de esperança na providência atingiu o limite do nada. Foi hoje que percebi que o homem que mais amava nesta vida não poderá vir me ver aqui neste antro de desumanidade. Ele não poderá vir hoje nem amanhã nem depois nem nunca. É agora que percebo quanta falta faz aquele que pareceu sempre junto, às vezes chegava quase que a fazer parte intrínseca a mim.

E esta parte que me amparava e acolhia, não agora, mas há dias me foi rudemente arrancada, dilacerada deste ser que agora é só parte de um todo. Começo a pensar que junto daquelas coroas floridas também fui sepultado. Creio que o Gil, o garoto que de todas as formas e maneiras se esforçou e lutou para agradar e seguir um grande homem, acho que ele está a enforcar-se neste misto de dor e revolta.

Temo por um instante que talvez não metade, mas a melhor parte de mim esteja a se apagar junto com a luz daquele que me era guia. Desde pequeno, papai sempre me ensinou a ser forte e não demonstrar fraqueza, mas também a saber pedir ajuda."

Ainda com esperança e fé, Gil Rugai.

Parte de cartas enviadas pela avó de Gil

"Parabéns pelo seu aniversário. O meu presente foi mandar celebrar uma missa pedindo a Deus que você continue com muita fé e coragem."

"Hoje mandei celebrar missa pela alma do meu querido filho e Alessandra, e também em sua intenção e libertação. Continue firme. Um beijo e aquele abraço bem apertado. Deus te ama e eu também!"

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