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As boas e as más notícias

O ano de 2013 trouxe avanços importantes em termos de saúde no País, mas também revelou situações complexas, que devem se arrastar pelos próximos anos e vão exigir novas estratégias de ação.

JAIRO BOUER, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2013 | 02h02

Para começar, a partir de 2014 as garotas de 11 a 13 anos vão poder receber gratuitamente no SUS a vacina contra o HPV, vírus transmitido por via sexual, que causa verrugas na região genital (talvez a DST mais comum hoje) e está diretamente relacionado a alguns tipos de câncer, como o de colo de útero. São três doses para a maior proteção. Mas alguns estudos já mostram que, talvez, uma dose única já seja capaz de oferecer uma redução importante dos casos de HPV. O plano é que a cobertura seja ampliada, pouco a pouco, para outras faixas da população, que tem vida sexual ativa, até mesmo para os garotos. Especialistas acreditam que o vírus possa causar também câncer em borda anal, glande e orofaringe, outras áreas do corpo relacionadas à pratica de atividades sexuais.

Em 2014, ainda no campo das DSTs, testes rápidos e baratos para detecção do vírus HIV, causador da aids, vão estar disponíveis em farmácias de todo o País, na tentativa de ampliar o número de diagnósticos de soropositivos. Essas pessoas, com as novas diretrizes do Ministério da Saúde, estabelecidas neste ano, poderão receber medicamentos antivirais assim que souberem do seu status (antes era necessário que houvesse uma queda da imunidade para que o tratamento fosse iniciado). Essa medida, em teoria, diminui as chances de complicações e reduz muito o risco de transmissão do vírus. Assim, quanto mais gente souber e seguir o tratamento correto, menos vírus estarão circulando na população.

2013 também consolidou tendências importantes, já percebidas em pesquisas nos últimos anos. Assim, por exemplo, dados do IBGE divulgados na última semana mostram que a taxa de gravidez na adolescência (entre 15 e 19 anos) caiu de 20,4% do total das gestações no País, em 2002, para 17,7% em 2012. A queda foi maior na Região Sudeste e as taxas ainda são mais altas na Região Norte.

Outra redução que se consolidou foi a do número de fumantes no País, que caiu de mais de 30% no fim da década de 1980, para cerca de 12% em 2013 (dados do Vigitel divulgados neste ano). Nova pesquisa do fim de novembro, da Fiocruz, mostra, no entanto, que essa queda é menos significativa nas faixas da população menos escolarizadas e de baixa renda, o que revela a necessidade de agir nesse grupo social menos favorecido.

Mas não foram apenas as boas notícias que ganharam espaço no ano que está acabando. Os índices da aids, por exemplo, revelados no início de dezembro pelo Ministério da Saúde, mostram que há um número constante de casos novos nos últimos cinco anos. São, pelo menos, 40 mil novas notificações por ano. O que preocupa é que algumas populações, como a de homens jovens que fazem sexo com outros homens e a de profissionais do sexo, registram parte importante desses casos. Já as políticas de prevenção dirigidas a essas populações específicas patinaram em 2013, em parte por pressões existentes nos setores mais conservadores do Congresso. Várias campanhas foram barradas ou enxugadas. O desafio para os próximos anos é vencer essas resistências e trabalhar diretamente com foco na prevenção e nesses grupos.

2013 ainda foi um ano de muitas mortes de jovens ligadas a consumo de álcool e violência. Apesar da lei seca mais severa em vigor há alguns anos, na prática a associação bebida e direção continua a existir em boa parte do País. Não foi à toa que, semana após semana, os jornais noticiaram acidentes e tragédias. A violência social, muitas vezes ligada ao tráfico de drogas, também foi a causa de mortes e chacinas em vários momentos do ano.

Para terminar, a situação do crack continuou a causar preocupação em 2013. As Cracolândias se espalharam pelo País e as políticas públicas para lidar com a situação foram tímidas e ambíguas. Em 2014, aids em grupos específicos, álcool, tráfico, violência social e a questão do crack se colocam como desafios importantes. Aproveito a última coluna do ano para desejar um 2014 com muita saúde para todos e para o País.

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