Árvores de Natal de recicláveis viram polêmica em Bragança

Árvores de Natal de recicláveis viram polêmica em Bragança

Prefeitura desmontou os enfeites após críticas de moradores, que se referiam aos objetos como 'monstrengos de lixo' 

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 20h15

SOROCABA - Durou menos de um dia a tentativa do artista plástico Fábio Delduque, de mexer com a consciência do público instalando árvores de Natal feitas com material reciclável, em Bragança Paulista, na região de Campinas, interior de São Paulo. Na manhã desta terça-feira, 16, a prefeitura desmontou os enfeites que haviam sido instalados na tarde anterior. "Eu que sempre procurei promover a cultura e a educação através da arte tive hoje meu dia de artista rebelde censurado", desabafou Delduque em sua página no Facebook.

Desde que foram instalados na rotatória do Mercado Municipal, os enfeites atraíram críticas dos moradores e também nas redes sociais. Internautas referiam-se às árvores como "monstrengos de lixo" e "pousada de urubus". Os que assumiram os comentários foram mais ponderados, como Basílio Zechini Filho. "Como muitos disseram, pareciam restos de lixo presos em galhos após uma enchente. Talvez a proposta não tenha sido entendida. Arte é arte e tem que ser respeitada." A internauta Tina Leme Scott preferiu criticar a decisão da prefeitura: "Retirar o trabalho foi uma atitude no mínimo arbitrária."


Comerciantes da região foram até o prefeito e disseram que "aquilo" chocava os turistas. Procurado, o prefeito Fernão Dias da Silva Leme, do PT, informou que estava em reunião. Segundo sua assessoria, a prefeitura forneceu o material reciclável, mas Leme também não gostou do resultado. As árvores desmontadas foram mandadas para um galpão e seriam recicladas, segundo a assessoria.

Um dos idealizadores do Festival de Arte Serrinha, Delduque disse que entendia as críticas e agradeceu aos que elogiaram o trabalho. "Minha cidade precisa abrir sua cabeça e enxergar outras perspectivas para além da obviedade desse mundo consumista e destruidor da natureza", postou. Em outra mensagem ao ser informado da retirada dos enfeites, ele fez outro desabafo: "Comprar um monte de coisas chinesas prontas na 25 de Março não contribui em nada para nenhuma reflexão crítica e muito menos para a economia da cidade." 

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