Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Árvore cai sobre rede elétrica e demora quase 30 horas para ser removida

Incidente ocorreu no bairro Cidade Jardim, zona sul de São Paulo, e morador sofreu com jogo de empurra entre Defesa Civil e Eletropaulo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

11 Março 2017 | 22h24

SÃO PAULO - Eram 18h de sexta-feira, 10, quando a administradora Marta Mesquita, de 51 anos, notou que uma das árvores de sua casa havia caído sobre a fiação elétrica em frente à residência, no bairro Cidade Jardim, zona sul paulistana. Ela havia programado sair com o marido, mas o incidente causado pela força da chuva e das rajadas de vento daquela tarde frustraram os planos do casal, que passou a viver uma angustiante saga até que o tronco e os galhos fossem removidos.   

Vinte e quatros horas e dez ligações depois, Marta ainda aguardava uma solução enquanto a Defesa Civil da Prefeitura e a Eletropaulo empurravam uma para a outra a responsabilidade pela remoção da árvore. "Foi angustiante. Vimos a situação ao abrir a porta para sair de casa e ficamos esse tempo todo apreensivos, de castigo, sem poder sair de casa e com o risco de incêndio na rede elétrica ou de outra árvore que ficou condenada cair na nossa casa. Sorte que não choveu de novo", relata.

Segundo a Defesa Civil, cerca de 20 árvores caíram na cidade desde a tarde de sexta-feira, quando choveu granizo na região próxima à casa de Marta e as rajadas de vento chegaram a 46 km/h, de acordo com monitoramento feito pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da capital. Para piorar, o bairro Cidade Jardim sofreu um apagão total por volta das 21h, e a energia só foi reestabelecida de madrugada, às 4h.

Como sua árvore havia caído sobre a rede elétrica, Marta ligou primeiro para a Eletropaulo, por volta das 18h30 de sexta. Em seguida, contatou a Defesa Civil. "O técnico da Defesa Civil chegou em casa umas 23h30 e disse que a remoção tinha de ser feita pela Eletropaulo porque a árvore estava caída sobre a rede de alta tensão. Eu voltei a ligar para a Eletropaulo, que me falou que não era para mexer na árvore de jeito nenhum sem a presença deles. Ficamos o tempo todo neste estado de tensão", disse.

O caminhão de manutenção da Eletropaulo só chegou à Rua das Açucenas por volta das 17h30 de sábado, mas quando os técnicos da concessionária viram o estrago feita pela árvore, informaram que a remoção teria de ser feita pelo Corpo de Bombeiros, que só chegou ao local às 19h30. A rua foi totalmente interditada e a energia desligada. O trabalho durou cerca de duas horas e meia e a árvore finalmente foi removida por volta das 22h.

Procurada pela reportagem, a Defesa Civil informou que foi até a residência de Marta por volta da meia-noite de sábado e que após constatar que a árvore estava escorada na rede elétrica acionou a Eletropaulo e a Prefeitura Regional do Butantã para executarem o serviço. Já a Eletropaulo afirmou que não recebeu nenhum chamado da Defesa Civil e que a responsabilidade pela remoção de árvores de grande porte é do órgão da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros. Segundo a concessionária, seus técnicos atuam apenas para livrar o perigo da rede elétrica. 

Agora, a saga de Marta será outra. "Vou ter de fazer uma solicitação na Prefeitura para que um agrônomo venha em casa avaliar se tem alguma outra árvore condenada que precise ser removida", disse. Esse tipo de pedido demora até um ano para ser atendido. Por conta da demora, a gestão do prefeito João Doria (PSDB) pretende alterar a legislação municipal para permitir que os próprios moradores contratem e paguem pelo serviço de poda de árvore com a apresentação de um laudo ambiental prévio, também particular, indicando a necessidade do corte.

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