Artistas ocupam prédio do governo e reivindicam posse

Grafiteiros dizem que edifício da SPPrev virou 'primeira ocupação artística da cidade'; órgão fez BO contra invasão

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2014 | 02h01

Um grupo de dez grafiteiros fez um churrasco na tarde de ontem na frente de dois amplos imóveis da São Paulo Previdência (SPPrev), autarquia do governo do Estado - um deles foi invadido em maio do ano passado. "É a primeira ocupação artística da cidade", diz o artista Thiago de Sampaio Bender, de 34 anos. A SPPrev informou que registrou boletim de ocorrência contra a ocupação do imóvel localizado na Rua Domingos Barbieri, no Butantã, zona oeste da capital.

A tarde de ontem era considerada o Dia D para as intervenções do grupo por causa do BO. O imóvel da SPPrev onde os artistas assavam a carne, enquanto pintavam grafites coloridos nas paredes, abriga o movimento Ocupe - Oficinas Criativas de Ocupação Pública.

Bender, que é morador do bairro, contou que o imóvel ficou por 12 anos sem uso, em processo de deterioração. Seguranças eram mantidos no local. Há 8 meses, Bender pediu para guardar nos galpões do prédio os materiais que usava em suas obras urbanas. Aos poucos, foi se apropriando "artisticamente" do espaço.

Começou a limpar o imóvel e plantou uma horta no jardim. As paredes da casa foram grafitadas com obras de diferentes artistas da cidade, que vieram de todas as regiões. Conforme o movimento ganhava corpo, os responsáveis pelo prédio começaram a se preocupar e pediram o imóvel de volta. Ontem, era a data-limite para a saída dos artistas do edifício.

"Eles invadiram sem a nossa autorização. Fizemos um boletim de ocorrência e vamos pedir a ajuda da Polícia Militar para retirá-los daqui", disse um funcionário da SPPrev, que preferiu não se identificar. Ele esteve ontem no local observando o churrasco e as novas pinturas.

Coragem. Os artistas, contudo, prometem resistência. Bender tentou se respaldar com a declaração por escrito de 30 vizinhos confirmando que os artistas ocuparam o espaço há mais de dois anos. Ele tem planos de criar oficinas em parceria com duas escolas públicas do bairro no prédio. "Um processo de reintegração de posse leva uns quatro anos. Foi o que meu advogado disse. Vamos enfrentar com coragem", disse o artista.

Até a noite de ontem, a Polícia Militar não havia ido ao local desocupar o imóvel. Em nota, a SPPrev informou que aguarda que sejam adotadas as medidas cabíveis para a resolução do caso. O órgão afirmou ainda que os imóveis são herança do antigo Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp).

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