Artistas da casa temem mudança nos contratos

Documento divulgado por representantes de corpos artísticos pede garantias de permanência dos músicos atuais

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2011 | 00h00

O futuro dos mais de 500 funcionários que compõem hoje corpos estáveis e equipes de produção do Teatro Municipal foi a principal questão levantada ontem por músicos em discussões na internet, após aprovação do projeto que o transforma em fundação. Foi também tema de documento assinado por representantes de alguns dos grupos que trabalham no teatro.

O Municipal é formado por duas orquestras, um quarteto de cordas, um balé, duas escolas e um museu. Os artistas são contratados segundo diferentes práticas. Na orquestra profissional, por exemplo, há músicos contratados por concursos públicos realizados sob diferentes legislações e artistas com contratos de prestação de serviço temporários - mas que, em alguns casos, são renovados há anos.

Segundo Danilo Stollagli, do Coral Paulistano, que leu o documento durante reunião na Câmara na semana passada, o receio é que os funcionários atuais não sejam recontratados pela fundação. Outras questões levantadas pelo documento são a definição de que o secretário municipal de Cultura fará parte do conselho de administração da fundação - o que, para parcela dos artistas, impedirá maior liberdade de gestão do teatro - e a falta de detalhes sobre a questão artística.

Maestros e artistas procurados pelo Estado na tarde de ontem preferiram não se pronunciar abertamente sobre as mudanças. Em redes sociais, no entanto, alguns músicos manifestaram apoio ao projeto. "A situação atual é pior que qualquer outra", disse o maestro José Maria Florêncio, que dirigiu a Sinfônica Municipal de 2006 a 2009. "Mas é preciso dar poderes à direção artística, a um titular competente com voz alta e situação estável."

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