Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Artista reclama de abandono em instalação pichada

Kboco diz que falta segurança, iluminação e verba da Bienal para atividades no espaço, no qual diz ter investido R$ 100 mil

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

Instalada do lado de fora do prédio no qual ocorre a 29.ª Bienal de São Paulo, a obra do artista Kboco e do arquiteto Roberto Loeb ainda está com as pichações feitas no sábado à noite ou no domingo por um desconhecido e que trazem, por duas vezes, a inscrição "Invasor". "Para mim não tem diferença entre apagar ou não. Sou vítima não por causa da pichação, mas da produção do evento, que não deixa minha obra acontecer", diz o artista. "Quando fui convidado, esse seria um espaço com uma programação para o povo, com teatro, happening, música."

Kboco reclama da falta de segurança por parte da organização do evento, de iluminação e de verba para as atividades.

É o segundo caso de pichação da 29.ª Bienal, inaugurada no sábado. No dia da abertura, Djan Ivson invadiu a instalação Bandeira Branca de Nuno Ramos, e escreveu a frase "Liberte os urubu" (sic) numa das esculturas da obra. Djan afirma ser o autor da pichação de sábado e nega ser o da obra de Kboco. Ele faz parte do grupo que pichou o prédio da Bienal em 2008, na edição anterior do evento, e que desta vez está representado na mostra no segmento "Pixação SP", com fotografias e vídeos sobre a ação de pichadores.

Kboco, que é grafiteiro e usa a técnica em sua criação, diz ter comunicado no domingo aos curadores da Bienal sobre a pichação em sua obra e que até ontem não havia tido uma conversa com os responsáveis pelo evento. Sua obra, o "terreiro" da Bienal Dito, Não Dito, Interdito é um dos seis espaços criados por artistas e arquitetos e que vão abrigar, até 12 de dezembro, atividades diversas para o público da mostra. Segundo Kboco, gastou-se R$ 100 mil para a construção de seu trabalho com Loeb (o espaço, pelo projeto inicial, poderia ser um local para skatistas).

"A obra de Kboco não está abandonada", afirmou o curador da Bienal, Moacir dos Anjos. "Estamos estudando entre hoje e amanhã que forma o trabalho dele pode ser melhor integrado à exposição. Não existe uma programação tão intensa como outros terreiros, até por ser um espaço em lado externo."

"Lamentamos que sua obra tenha sido pichada e é uma decisão que vai caber ao artista se seu trabalho vai ser restaurado", disse o curador. Kboco afirma que sua posição é apagar as pichações de seu trabalho, mas que pretende esperar uma postura dos organizadores da 29.ª Bienal.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Djan Ivson, PICHADOR E PARTICIPANTE DA BIENAL

1. Por que fez a pichação na obra de Nuno Ramos?

Fiz o ataque por questão da liberdade, contra o aprisionamento dos bichos e pela liberdade de expressão. A frase (pichada na obra, "Liberte os urubu (sic)") não foi completa.

2. Qual seria?

Liberte os urubus e os pichadores de BH. Foi a questão da polêmica da obra e dos nossos amigos. Quis fazer uma reclamação sobre esses assuntos (segundo ele, "Os Piores de Belô" foram presos em agosto).

3. Sua pichação foi uma manifestação contra a forma de a Bienal expor o gênero, com fotos e vídeos?

Escolhemos expor a pichação na Bienal dessa forma. Não tinha nada a ver alguém dar uma parede para a gente pichar. [ ]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.