Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Artista português retrata a SP apocalíptica

28 de suas visões surrealistas em nanquim poderão ser vistas a partir de hoje no MuBE

Valéria França, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2011 | 00h00

Quando o artista plástico português Pedro de Kastro, de 39 anos, montou seu home office no 22.° andar de um prédio na Avenida 9 de Julho, região central de São Paulo, a cidade virou a principal fonte de inspiração de suas obras. Desde 2001, ele pega um bico de pena, molha no nanquim preto e desenha o que vê - e imagina. Os Edifícios Altino Arantes - antigo prédio do Banespa - e Martinelli, entre outros, são retratados com tanta precisão que chegam a levar quase um ano para ficar prontos.

Kastro selecionou 28 obras para abrir hoje a exposição Visões, no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), nos Jardins. Seis delas podem ser vistas nesta página, com comentários do artista.

Nos painéis em preto e branco, São Paulo é apocalíptica e desumana. "Quando cheguei, fiquei muito impressionado com o gigantismo da cidade", diz ele, que sofre influência do surrealismo do holandês Maurits Escher.

De tradicional família portuguesa, Kastro sonhava em conhecer as Américas. Vendeu bens, fez as malas e mudou para o Brasil. "Não imaginava que São Paulo fosse tão diferente da minha terra natal. Lisboa é pequena, parece menor que a zona leste. E lá temos no horizonte gaivotas, mar e casas do século 18. Aqui, vejo urubus, prédios e favelas."

A visão pouco glamourosa tem explicação. Apesar de gostar dos Jardins, Kastro foi viver em um prédio dos anos 1940 no centro e se tornou vizinho de drogados e desocupados. "A construção é o máximo e acabei fazendo um bom investimento."

Mesmo com as críticas, Kastro se casou com uma brasileira e gosta da cidade. "O brasileiro acha que tudo no fim dá certo. Já o português é mais fatalista. Por isso nossa música é o fado."

Serviço

MUBE: AVENIDA EUROPA. 218, JD. EUROPA. TEL.: 2594-2601. ATÉ DIA 29. GRÁTIS

 

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