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Artista morre baleado após confusão em Pinheiros; policial suspeito foi detido

NegoVila Madalena, artista plástico e muralista, foi morto a tiros em frente a uma distribuidora de bebidas

Guilherme Sobota  , O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2020 | 11h15
Atualizado 30 de novembro de 2020 | 20h24

O artista NegoVila Madalena, de 40 anos, foi morto na madrugada de sábado, 28, após ser atingido por um tiro em frente a uma distribuidora de bebidas próxima ao bairro que lhe emprestava o nome artístico. Um policial militar suspeito pelo homicídio foi detido após o incidente.

"O caso está sendo registrado pelo 14º DP (Pinheiros), que apura os fatos", diz uma nota da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. "A Polícia Militar também instaurou um IPM para investigar todas as circunstâncias relacionadas à ocorrência."

De acordo com o Boletim de Ocorrência, um policial militar de 36 anos fez dois disparos e matou Wellington Copido Benfati, nome de NegoVila, e quando os policiais de plantão chegaram ao local, ele resistiu às ordens, foi algemado e detido em flagrante. Benfati chegou a receber atendimento médico, mas morreu no Hospital da Lapa.

NegoVila estava com um grupo de amigos em frente a uma distribuidora que fica na esquina das ruas Inácio Pereira da Rocha e Deputado Lacerda Franco, em Pinheiros. Próximo das 4h30 da madrugada de sábado, ele teria tentado separar uma briga entre um de seus colegas e um policial militar e se envolveu na confusão. O policial atirou para cima, causando uma correria, e o artista em seguida caiu no chão. O policial se aproximou e atirou novamente.

A polícia chegou ao local, próximo ao 14º DP, após alguns minutos. Na delegacia, o policial militar detido alegou que se defendeu de agressões e apresentava sinais de embriaguez. O motivo da discussão ainda não foi esclarecido.

O velório ocorre neste domingo, 29, no Cemitério da Lapa às 12h, e o sepultamento às 16h. "A última camiseta que no Nego comprou foi uma camiseta branca. Ele estará vestido com ela!", escreveu nas redes sociais a irmã do artista, Tatiane Benfati. "Se quiser venha de camiseta branca, o mundo precisa de paz, luz e muito amor!"

NegoVila, era muralista, artista plástico e cenógrafo. Ele deixa uma filha de nove anos.

"Nego Vila - salve! - após 8 dias de uma das mortes que, pelo registro de imagens chocou o Brasil, mais um homem preto morre violentamente", lamentou pelo Instagram o produtor cultural Kleber Pagu. "Esse homem preto era Nego Vila, nosso irma~o, artista e produtor, representava a ti´pica persona de ‘todo nego vila’, guerreiro, trabalhador, persistente, resistente."

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