VAN CAMPOS
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Artista atraca barco às margens do Rio Pinheiros como crítica à poluição

Obra 'Barco sobre um Rio Enterrado', de Eduardo Srur, permanecerá às margens do rio até a sua completa desintegração

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2019 | 11h19

SÃO PAULO - Desde o último dia 24 de junho, ciclistas e pedestres que passam pela ciclovia localizada às margens do Rio Pinheiros, nas proximidades da ponte Cidade Jardim, no acesso da Passarela do Parque do Povo, se deparam com uma obra do artista plástico Eduardo Srur, o "Barco Sobre um Rio Enterrado".

Trata-se de um barco laranja com 8 metros de comprimento que permanecerá atracado às margens do rio até sua completa desintegração. "A ideia é que a degradação do barco, a dissolução da obra, represente a própria degradação do rio", disse Srur - que tem um atelier próximo ao próprio Rio. "Além disso, o barco atracado às margens do rio vai representar aquilo que poderia ter sido. Ou seja, um barco navegando por um rio limpo", conta o artista.

Srur considera os rios Pinheiros e Tietê como "distorções da paisagem urbana" e verdadeiros "esgotos à céu aberto". 

O artista espera que sua obra provoque a reflexão no cidadão e que também seja um objeto de interação com os frequentadores do lugar.

Srur pretende fazer do "Barco Sobre um Rio Enterrado" uma obra em constante mutação, um "work in progress".  "Periodicamente, pretendo publicar fotos do barco para, justamente, mostrar os efeitos do tempo e da falta de cuidados sobre ele", disse.

Eduardo Srur é um artista visual conhecido por suas intervenções urbanas no Rio Pinheiros. Em 2006, ele ocupou 3 quilômetros do rio com 150 caiaques tripulados por manequins de plástico que se juntaram ao lixo flutuante e formaram uma ilha de resíduos que remetia ao mapa do Brasil. 

Em 2014, sua exposição "As Margens do Rio Pinheiros" trazia esculturas realistas de pessoas em trampolins azuis nas pontes que cruzam as marginais. Em 2017, navegou uma escultura monumental de 40 metros na forma de um peixe sobre as águas do rio. A grande boca aberta do "Pintado" buscava, em vão, um pouco de oxigênio já inexistente no local. 

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