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Artigo: O desmonte de um plano absurdo 

Mais de dois meses depois, cliente que denunciou assédio no Quitandinha Bar, na Vila Madalena, manifesta-se sobre o assunto

Júlia Velo, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2016 | 08h46

Ok, internet, é hora da verdade: vocês nos desmascararam. Nosso plano de dominação mundial estava indo muito bem, obrigada, se não fossem por vocês: alguns usuários de redes sociais. Os olhos que tudo veem. As bocas que tudo sabem. Sim - nós subestimamos a vossa perspicácia. Raios!

Tudo parecia à prova de erros. Nós, "feminazis", treinamos mulheres do mundo inteiro para fingirem que são vítimas de agressões diárias. O curso de falso estupro foi amplamente lecionado, assim como o de falso assédio. O de falsa violência doméstica, então, foi um sucesso absoluto. 

Mas, infelizmente, esse esquema veio à tona. E, como se não fosse ruim o bastante, descobriram o nosso grande objetivo: cinco minutinhos de fama. Afinal, toda denúncia de natureza sexual é uma catapulta para o sucesso. A única parte ruim disso é que você, mulher, irá sofrer perseguições e até ameaças de morte. Mas, ah, mas, quando a gente se expõe, é assim mesmo. Perde um pouquinho da liberdade. 

Vocês estavam certos: nós acusamos falsos namorados abusivos. Acusamos falsos estupradores. Acusamos até falsos estabelecimentos misóginos. Nós usamos roupas curtíssimas e ficamos extremamente vulneráveis. Atraímos seres do sexo masculino direto para as nossas teias vingativas. Provocamos tudo friamente, tim tim por tim tim. Coitadinhos. Caíram na nossa armadilha.

Agora, esse papo de lutar por direitos básicos não cola mais. Está claro que todas essas denúncias são falsas e fazem parte de um plano satânico arquitetado por mulheres que querem se tornar subcelebridades às custas de homens inocentes. Ufa! É como tirar um peso das costas. 

Passem o recado para as mais de 5.664 vítimas de falso feminicídio todos os anos só no Brasil. Cancelem o mimimi das outras 13,5 milhões, vítimas de falsa agressão sexual. Eu sei, vai dar um trabalhão avisar todas as adeptas da nossa seita. Mas vejam pelo lado positivo: só 8% das mulheres falam abertamente que são vítimas. Imagina que bagunça se a nossa lavagem cerebral tivesse chegado em todas elas?

Pronto. Admitimos tudo e sentimos muito. Agora que a casa caiu, é hora de correr atrás do prejuízo. Quem sabe se ficarmos bem comportadas - e principalmente, bem quietinhas - ainda dê tempo de um partidão nos querer. Não custa tentar, né? 

PS: Esse é um texto altamente irônico e inverídico. Com exceção da parte dos dados. Esses, lamentavelmente, são reais, concretos e crescem mais a cada dia que se passa. 

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