Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Arte (e bom humor) nos bueiros do Rio

Adesivos transformam tampas em bombas

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

A criatividade não é a ferramenta mais óbvia para evitar a explosão do bueiro da esquina - mas pode ajudar. Cansados de ver tampas de metal voando pelos ares, publicitários e artistas cariocas criaram uma série de intervenções urbanas para protestar contra a concessionária de fornecimento de energia elétrica do Rio. Na ação mais popular, adesivos em forma de pavio foram colados em diversos bairros da cidade, transformando os bueiros em bombas. Em Ipanema, na zona sul, as figuras dos explosivos tomaram conta de todo um quarteirão da Avenida Visconde de Pirajá, entre as Ruas Garcia D"Ávila e Maria Quitéria.

Outros grupos colaram adesivos semelhantes em outros bairros da zona sul. Em Copacabana, o publicitário Fábio Maia e o designer Leo Conrado espalharam caveiras com a expressão "bueiro minado" sobre as tampas. "Pode ser que esse protesto não mude essa situação, mas pode ampliar a discussão sobre o absurdo que é a explosão de um bueiro", diz Fábio.

A ação chamou a atenção de quem anda pela cidade e costuma pisar sobre as tampas de metal diariamente. O cozinheiro Max Marandino, de 28 anos, parou para tirar uma foto. "Vou postar uma foto na internet agora para espalhar essa ideia."

Em Laranjeiras, moradores transformaram em campo minado a esquina das Ruas Conde de Baependi e Martins Ribeiro, colando cruzes de fita vermelha sobre as tampas de bueiros.

Representantes da prefeitura, do governo do Estado, do Ministério Público e do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) se reuniram ontem para discutir a contratação de uma empresa para fiscalizar os bueiros. Ontem, uma câmara de energia elétrica no centro liberou fumaça e assustou pedestres. Na semana passada, o Crea-RJ identificou sete bueiros com 100% de risco de explosão na mesma região.

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