Arrastão na saída de show no Morumbi

Fãs do músico Roger Waters dizem que foram atacados por bando armado na rua

CAMILLA HADDAD, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h06

A saída do público do Estádio do Morumbi, na zona sul de São Paulo, após o show do músico inglês Roger Waters, ontem de madrugada, teve episódios de arrastão, segundo seis vítimas que registraram boletim de ocorrência no 89.º Distrito Policial.

A Avenida Giovanni Gronchi foi a que mais registrou ocorrências. As vítimas dizem que foram atacadas por homens armados no meio da rua. No show de Waters realizado domingo, caso semelhante foi registrado no mesmo endereço. Desta vez, segundo relatos de testemunhas, contra motoristas presos no congestionamento.

Nas duas ações os criminosos fugiram levando celulares, roupas e carteiras. No caso de ontem, a Polícia Militar diz que atendeu um chamado para o 190 relatando um arrastão, mas conseguiu evitar que a ação criminosa de fato acontecesse. Houve troca de tiros com bandidos na Giovanni Gronchi, altura da Rua Melchior. O PM Thiago Lima foi baleado na mão e levado para o Hospital da Cruz Azul. Ele passa bem. Os criminosos fugiram em direção à Favela de Paraisópolis.

Os tiros provocaram pânico em quem estava dentro de veículos em ruas da região e assustaram até moradores dentro de casa. Na página do Facebook feita pelos Moradores do Morumbi foram postados relatos de que dentro das residências foi possível ouvir tiros e gritos.

Mas, para a Polícia Militar o arrastão não aconteceu. "Houve o registro de um furto de ingresso e de uma tentativa de furto de uma bebida que estava dentro de um carro", afirmou o capitão Cleodato Moisés, porta-voz da corporação. Segundo o oficial, homens das Rondas Ostensivas com o Apoio de Motocicletas (Rocam), do qual o PM baleado faz parte, chegaram bem antes de o crime acontecer.

Já em relação ao arrastão de domingo, o policial disse desconhecer a ocorrência.

"Ontem (terça-feira) tínhamos 145 PMs e 56 viaturas, sendo 48 motos da Rocam. A polícia estava perto e presente", disse Moisés. No domingo, o efetivo teria sido o mesmo. Para o policial, ao perceber pessoas paradas na rua, mexendo na blusa ou celular e olhando para carros no trânsito, a recomendação é ligar para o 190 para prevenir crimes.

Rua fechada. Apesar da negativa da PM sobre a ocorrência de arrastões, dois incidentes do tipo foram registrados no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi). Três moradores de Vitória, no Espírito Santo, disseram que ao caminhar pela Avenida Giovanni Gronchi foram surpreendidas por ladrões na altura da Rua Santo Américo.

Em outra abordagem, três vítimas afirmaram que tiveram carteiras e celulares roubados sob ameaça de uma arma. Um casal também teria sido assaltado, mas não apresentou queixa.

Na noite de domingo, um taxistas de 39 anos disse que viu a Avenida Giovanni Gronchi ser fechada por uma quadrilha de 20 homens. Segundo ele, parte do bando foi para cima de seu carro e de outros no congestionamento.

De acordo com o delegado Iraí de Paula, titular do 89.º DP, tudo indica que os homens que agiram domingo tenham voltado a atacar na madrugada de ontem.

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