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'Arrastadores' mostram o caminho da pirataria

Comerciantes que vendem jogos e filmes piratas estão recorrendo a “arrastadores” para driblar as operações da Prefeitura contra o comércio ilegal. Na região da 25 de Março, no centro da capital, está cada vez mais comum ver homens segurando catálogos improvisados com títulos de filmes ou games. Se alguém se interessa, a mesma pessoa leva o possível comprador aos pontos de venda.

Luísa Alcalde e Elvis Pereira, Jornal da Tarde

24 de agosto de 2011 | 08h19

 

Um dos pontos de trabalho dos arrastadores fica em frente à entrada lateral da Galeria Pagé, na Rua Comendador Afonso Kherlakian. Em surrados catálogos de papelão exibem capas de games e DVDs. Após “fisgarem” o possível comprador, o conduzem até uma das entradas laterais da Galeria Korai, que fica na Rua Barão de Duprat, a cerca de 50 metros dali.

 

Desde que o local passou a ser fiscalizado pela força tarefa encabeçada pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, mas que também tem representantes do Estado e do governo federal, há vários boxes fechados no primeiro andar. A ação visa a coibir pirataria, contrabando e sonegação fiscal.

 

Dentro dos boxes, com as portas abaixadas, é feita a venda. Durante as duas últimas semanas, o Jornal da Tarde esteve no local. A repórter, dizendo-se interessada em comprar os produtos exibidos nos catálogos, foi convidada a acompanhar um arrastador.

 

No interior dos boxes há prateleiras com cópias pirateadas e vários funcionários, como se a loja estivesse funcionando normalmente. Alguns, inclusive, como era horário de almoço, comiam em marmitex ali mesmo, em pé.

 

No local, cópias de filmes recém-lançados por produtoras ou que acabaram de estrear em cinemas da cidade são oferecidos a R$ 10 cada cinco exemplares. Já os jogos de Wii, Playstation e Xbox 360 saem por R$ 20 cada três unidades. Se levar cinco unidades, a compra fica em R$ 30.

 

Como garantia, em caso de necessidade de troca, os vendedores oferecem cartões da loja com telefone celular e o nome do comércio. Arrastadores também são vistos exibindo catálogos na entrada principal da Galeria Pagé, na Barão de Duprat. No interior do edifício, comerciantes dizem que games não são mais vendidos por conta das operações. Segundo eles, o comércio desse tipo de produto está proibido. Mas não é difícil perceber que as vendas são direcionadas para pontos próximos, como a Galeria Korai.

 

O secretário Municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, tem conhecimento de que parte dos lojistas tenta manter a venda de produtos piratas. “Esses locais são filmados e fotografados diariamente”, afirmou. Ele se refere a sete shoppings populares, entre eles o Korai, que são monitorados pelo Gabinete de Segurança, com representantes dos governos municipal, estadual e federal.

 

A ideia, acrescentou, é propor aos sete um termo de ajustamento de conduta que permita expulsar os lojistas irregulares. “A assinatura desses termos vai dar força para o controlador rescindir o contrato de locação.”

 

A Polícia Militar informou ter apreendido no mês passado 1,6 milhão de mercadorias irregulares de um prédio na Rua Carlos de Souza Nazaré. “As práticas apontadas pelo JT na reportagem serão contra-atacadas e neutralizadas”, afirmou a corporação.

 

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