Arquitetos estrangeiros traçam o novo Rio

Mercado internacional de design está de olho na Copa do Mundo e na Olimpíada

Bruno Boghossian / Rio, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2010 | 00h00

As maquetes assinadas por arquitetos de fama internacional já dão pistas da transformação pela qual o Rio deve passar nos próximos anos. Prestes a receber os maiores eventos esportivos do mundo, a capital fluminense começa a ganhar um novo visual, contando com os traços ousados do francês Christian de Portzamparc, do espanhol Santiago Calatrava e do escritório americano Diller Scofidio + Renfro.

O gigantesco navio de concreto que é a Cidade da Música, ainda inacabada, já se destaca no encontro das duas maiores avenidas da Barra da Tijuca (zona oeste). O pavilhão futurista que abrigará o Museu do Amanhã promete revitalizar a zona portuária. Já a orla de Copacabana (zona sul) vai ganhar um surpreendente "calçadão vertical", que formará a fachada do novo Museu da Imagem e do Som (MIS).

"À medida que a cidade se torna cada vez mais global, como futura sede da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, ela merece receber a atenção dos profissionais do mercado internacional de design", avalia o escritório Diller Scofidio + Renfro, responsável pelo projeto do MIS.

Para criar o Museu do Amanhã - espaço dedicado à ciência e ao conhecimento que deverá ser inaugurado no Píer Mauá em 2012 -, o espanhol Santiago Calatrava mergulhou na história do Rio, acompanhou a vida cultural e estudou a vegetação da cidade.

"Queria fazer um edifício vivo e integrado a esse novo modo de entender a relação entre a arquitetura e a natureza", afirmou Calatrava ao Estado. O arquiteto criou um sistema hidráulico que faz com que a cobertura possa se abrir e se fechar, mudando a iluminação do interior do prédio. "A ideia era fazer com que, como uma flor, o edifício pudesse se abrir para o sol e para o público."

Os arquitetos Elizabeth Diller, Ricardo Scofidio e Charles Renfro fizeram, para o projeto do MIS, uma extensão da calçadas de pedra portuguesa de Copacabana. A rampa que dará acesso aos seis pavimentos do museu a partir de 2012 subirá em ziguezague pela fachada.

"O bulevar vertical foi criado por um desejo de conectar o espaço democrático da praia ao prédio, com o objetivo de eliminar as barreiras entre a cidade - o lugar onde a cultura acontece - e o museu - o lugar em que a cultura é interpretada", explicam.

Com o mesmo objetivo, o francês Christian de Portzamparc privilegiou esplanadas e projetos paisagísticos sofisticados quando desenhou a Cidade da Música. Cercado por polêmicas que incluíram denúncias de superfaturamento, o prédio que abrigará salas de concertos e espaços culturais deve ficar pronto em 2011 - nove anos após o início das obras e a um custo cinco vezes maior que o previsto.

Para lembrar

Boate fechou para dar lugar a museu

O novo Museu da Imagem e do Som (MIS) será construído na Avenida Atlântica, no terreno que foi ocupado por 25 anos pela boate Help - que se consolidou na década de 1990 como reduto de prostituição e turismo sexual na cidade. Em 2008, o governo do Estado desapropriou o imóvel para dar lugar ao museu, pagando aos donos R$ 18 milhões dos R$ 70 milhões que serão gastos com a construção. A casa noturna fechou em janeiro e foi demolida, mas será lembrada no MIS. O novo prédio vai abrigar boate e exposição sobre a noite carioca - na qual a Help será uma das homenageadas.

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