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Arquiteta ''se monta'' e vira barbie na Casa Cor

Para ser ''boneca'', Brunete Fraccaroli põe cílios postiços, corta vestido e passa a tarde no salão

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Foi a consagração definitiva para a arquiteta Brunete Fraccaroli, enquanto Barbie. Ontem, a fabricante mundial da boneca aproveitou o lançamento da "Barbie Quero Ser Arquiteta", na mostra de decoração Casa Cor, para presentear Brunete com exemplar "one of a kind" (único) dela mesma em plástico.

"Só posso estar muito feliz, gente. É uma homenagem linda. Quando eu vi quem de fato era a Barbie, comecei a me apaixonar por ela", diz a arquiteta.

Em sua época de menina, Brunete não brincava com Barbies. Diz que as descobriu involuntariamente na Casa Cor de 1992, quando um grupo de colegas malvados a "rebatizou" com o nome da boneca. A história virou capa de revista e Brunete-Barbie, uma lenda.

Ela lembra que, a princípio, chorou muito. Mas logo resolveu otimizar a brincadeira e passou a colecionar Barbies. Hoje são mais de 400, com participações em ambientes projetados por ela, como o "apartamento da jovem executiva" e na versão "kids" da Casa Cor. "Vi que ela (a boneca) era uma pessoa maravilhosa, tinha estilo, personalidade e sofisticação."

O apego à personagem foi tamanho que Brunete quase adoeceu quando sua filha, por sugestão dela mesma, doou tudo para uma comunidade de crianças pobres em São Vicente. "Eu expliquei que ela tinha muito brinquedo e havia muitas crianças sem nada. Então, em vez de doar os dela, ela pegou as minhas bonecas e mandou para lá", conta.

Brunete descobriu o rasgo de generosidade da filha meses depois, quando a convidaram para participar de uma exposição. "Na hora em que a babá me perguntou "que bonecas?", eu quase tive um troço. Mandei o motorista lá na comunidade e paguei para trazê-las de volta. Elas chegaram sem uma roupinha. Tive a ideia de pedir a estilistas que fizessem modelos especialmente para a exposição", conta.

A arquiteta se entregou na tarde de ontem aos cuidados do cabeleireiro Beto Silva, do salão Loft Hair Boutique, no Shopping Cidade Jardim. Ele preparou a "versão gente" da boneca, para confundir as pessoas na festa da Casa Cor.

Depois de colocar o cílio postiço, Beto soltou os longos cabelos loiros de Brunete. Ela deu uma sacudida e, não sem alguma resistência, acabou contando que usa aplique. "Uns dois ou três fiozinhos. Trouxe de Miami."

O vestido da boneca é uma cópia do modelo que ela estava usando e foi feito com o mesmo tecido - extraído da barra do original: "Sou baixinha (1,55 m, 45kg), sobrou uma caudinha de vestido mesmo."

Ela conta que comprou o modelo, de Roberto Cavalli, no dia de seu último aniversário. "Todos os anos saio com um grupo de quatro amigas para tomar champanhe e, quando já estou bem alta, entro em uma loja e me dou um presente." O deste ano custou R$ 6 mil.

"Tendência". A boneca "Quero Ser Arquiteta" vai custar R$ 59,99 - uma roupinha dela não passa de R$ 19,99. A linha "quero ser" surgiu com o primeiro exemplar da boneca, em 1959. "Todo ano a linha vem com uma profissional diferente, que leve as meninas a se inspirar em suas brincadeiras e a experimentar papéis diferentes", diz Ana Furtado, gerente de Marketing da empresa fabricante da boneca no Brasil.

"Faltam as joinhas da Barbie", disse Brunete, ainda no salão, pegando dois brincos de esmeralda da bolsa. A arquiteta, que não ganhou um tostão na brincadeira ("foi só mesmo a homenagem"), esmera-se na pose idêntica à da foto da boneca.

Para Beto Silva, mulher-boneca é uma tendência. "Elas querem parecer garotas", explica.

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