Luc Médrinal/Divulgação
Luc Médrinal/Divulgação

Arquiteta carioca leva onda do Rio à França

Solange Fabião se inspirou no mar de Ipanema, onde cresceu, para criar o Museu do Oceano e do Surf, no balneário europeu de Biarritz

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Já faz 22 anos que a arquiteta carioca Solange Fabião deixou sua cidade para trás. Primeiro, morou em Berlim; desde 1994, vive em Nova York. Mas foi uma imagem que guardava nas lembranças de adolescência, da Ipanema do fim da década de 1970, que a inspirou a conceber as formas surpreendentes do Museu do Oceano e do Surf, no badalado balneário francês de Biarritz: uma onda do mar em formação, das que via quando saía do colégio para caminhar no calçadão.

Com a inauguração marcada para sábado, o museu, que vai explorar questões como educação ambiental, ciência e lazer, e deve receber por volta de 450 mil visitantes por ano, é o primeiro da França que leva a assinatura de uma mulher - neste caso, coassinatura, já que ela divide o projeto com Steven Holl, seu ex-marido, e em cujo escritório trabalha.

O desenho deles venceu a disputa pela realização do prédio em 2005. Quase todo em concreto branco, o museu fica a 300 metros da Plage de Ilbiarritz, ponto de encontro de surfistas europeus. "Um dos diferenciais do nosso projeto foi a integração com a paisagem", contou Solange ao Estado. Os 3,8 mil m² guardam surpresas: curvas drásticas, estruturas côncavas e convexas, chão revestido de pedras portuguesas, como as da orla carioca.

Logo na entrada, a sensação é de se estar diante de uma onda gigante e branca. Na área expositiva, subterrânea, o visitante se vê dentro do oceano. No terraço, de onde se aprecia o estourar das ondas nos rochedos da praia, longos retângulos de vidro dão forma à área do restaurante, café e quiosque de informações. "A ideia é estar sob e sobre a onda. A sensação é de se ver o momento de formação da onda, como eu via no Rio. A relação com o mar é algo que faz parte da minha vida. Sou muito feliz por ser carioca", disse Solange, que ao menos duas vezes por ano desenferruja o português em visitas para rever parentes, amigos e praias.

Sua ligação com a natureza é forte. Artista plástica com passagens pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e a Bienal de Veneza, ela expôs em maio, no Canadá, a videoinstalação Amazônia - Projetando no escuro. O trabalho, mostrado anteriormente nos Estados Unidos, foi resultado de duas viagens para a região, há quatro anos, durante as quais ela capturou as luzes e os sons da floresta.

Como arquiteta, Solange, garota da zona sul do Rio formada na UFRJ (e na Uni-Rio, em cenografia), tem mais de 50 projetos. Aos 48 anos, apresenta currículo variado, que inclui programas da TV Globo, como Armação Ilimitada, retrato do universo do surfe e dos costumes dos anos 1980.

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