Arquiteta afirma nunca ter ido a prédio que caiu

Responsável pelo projeto de obra que desabou e matou 10 diz que assumiu trabalho de outra profissional e dono tinha pressa na construção

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h03

A arquiteta Rosana Ignácio Januário, responsável pelo projeto da obra que desabou e matou dez pessoas em São Mateus, na zona leste, afirmou que o proprietário do terreno tinha muita pressa na construção e que foi usada como "laranja". Rosana negou culpa pelo acidente e disse nunca ter ido ao local.

Ela contou ao Estado que assumiu um projeto feito por outra arquiteta, a pedido do dono do terreno, Mostafá Abdallah Mustafá. Pelo serviço, cobrou R$ 2 mil. "Ele comentou comigo que tinha tomado uma multa, por isso queria um projeto." Rosana disse ter pedido para que Mustafá parasse a obra até a aprovação da Prefeitura. O projeto da arquiteta tinha apenas um andar, térreo, enquanto na obra que caiu havia dois.

A arquiteta contou que se sente "enganada" pelo dono do terreno, que teria usado sua assinatura para legitimar a obra. "Ele (Mustafá) estava com muita pressa." Após o acidente, ela falou duas vezes com Mustafá: para saber se a obra era a do projeto assinado por ela e para cobrar o valor combinado, que recebeu "a muito custo".

Rosana afirma que tem sofrido ameaças. "As pessoas jogam papéis debaixo do portão e cartas no escritório, dizendo que eu deveria morrer." Por meio do advogado, Mustafá responsabiliza a Engenharia Salvatta, contratada pelo Magazine Torra Tora, pelo acidente. A rede de lojas e a engenharia culpam o dono do imóvel.

O fiscal Valdecir Galvani de Oliveira, que havia embargado a obra em 25 de março e pedido exoneração dez dias depois, disse ontem em entrevista ao SBT que o dono do imóvel sabia do problema e que ficou surpreso e triste quando soube do desmoronamento.

Internet. O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que pretende colocar na internet a lista de obras embargadas e inclui-las no Diário Oficial da Cidade. "Quanto mais informações acessíveis, mais fácil será a fiscalização, não somente do vistor, mas da sociedade", disse.

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