JF Diório/Estadão
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Arqueólogos acham vestígio de olaria em Pinheiros

Entre as 50 mil peças encontradas durante escavação no bairro,oito são fornos de mais de 200 anos

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - São fortes os indícios de que funcionava uma olaria na região de Pinheiros há mais de 200 anos. Esta é a principal conclusão de um grupo de arqueólogos que, entre 2010 e 2013, escavou um terreno de 17 mil m2 entre as Ruas Amaro Cavalheiro, Butantã e Paes Leme, na zona oeste de São Paulo. 

A equipe, formada por 35 especialistas, entre eles 21 arqueólogos, foi contratada por uma incorporadora imobiliária. “No total, encontramos mais de 50 mil peças arqueológicas, mas o que mais chamou a atenção foram restos de oito fornos”, comenta o arqueólogo Paulo Eduardo Zanettini, coordenador do projeto.


Nos últimos meses, o material coletado começou a ser analisado. “Fizemos 17 datações até concluirmos que se tratam de fragmentos de mais de 200 anos”, explica Zanettini. Agora, passam por exposição pública (confira agenda ao fim da reportagem) e, em seguida, serão incorporados ao acervo do Centro de Arqueologia de São Paulo, mantido pela Prefeitura no Sítio Morrinhos, na zona norte. 

Os fragmentos mostram que as peças eram feitas de acordo com estética europeia, o que mostra que eram voltadas ao consumo dos portugueses e descendentes que habitavam a cidade - e não dos índios. Um dos itens se assemelha muito a uma forma de assar bolos. 

Pesquisadores envolvidos no projeto acreditam que as louças produzidas na região de Pinheiros atendiam não só ao mercado local, mas também eram vendidos em regiões mais distantes do País. A várzea do Rio Pinheiros era endereço ideal para tal empreendimento, por causa tanto da argila abundante existente ali quanto pela facilidade de transporte por via fluvial. “Essa descoberta lança luz a um passado não muito conhecido de São Paulo”, lembra o arqueólogo. “As evidências nos ajudam a compor um quadro mais complexo em torno da dinâmica econômica e social em São Paulo antigo.”

Estratégica. Na região de Pinheiros foi formado um dos primeiros aldeamentos ao redor da Vila de Piratininga, embrião da cidade de São Paulo. Ali havia uma aldeia indígena. Em 1560, seis anos após a missa que marca a fundação de São Paulo, o aldeamento começa a contar com a presença do homem branco. Localizado em ponto estratégico para as rotas de transporte, o bairro se converte em “povoamento caipira”, com a mistura de brancos, índios e mestiços. É neste contexto que surge a olaria, agora descoberta. 

Serviço. Exposição Mãos no barro da cidade: uma olaria no coração de Pinheiros. Sábado, 27, e domingo, 28, na Praça Victor Civita (R. Sumidouro, 580); de 29 de setembro a 4 de outubro, na Estação Faria Lima do Metrô; de 6 a 12 de outubro, no Largo da Batata, em Pinheiros, São Paulo. 


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