Arma usada no crime, uma pistola 380, foi presente do marido

Elize alegou ter sido agredida durante discussão; tiro foi dado na sala e não foi ouvido pelos vizinhos

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h17

A pistola usada por Elize Kitano Matsunaga, de 38 anos, no dia do crime foi um presente do próprio marido, o executivo Marcos Kitano Matsunaga. Ele foi morto com um tiro à queima-roupa no lado esquerdo do crânio durante discussão conjugal.

Em princípio, a perícia apontou que a bala encontrada na cabeça do empresário era de uma pistola 765. Mas, ontem, durante o depoimento, Elize disse à polícia que usou a pistola 380, presenteada pelo marido, e contou onde estava. A arma já foi recolhida. O casal praticava aulas de tiro e o empresário era colecionador de armas.

Durante o depoimento, Elize não poupou informações, segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco. "Ela deu detalhes sobre uma discussão conjugal, que terminou com ela matando o marido." O casal discutiu porque Elize teria descoberto uma traição do marido. Ela teria contratado um detetive para encontrar provas.

Na discussão, Elize alegou ter sido agredida pelo marido. Foi então que ela pegou a arma e disparou contra ele. O tiro foi dado na sala e não foi ouvido pelos vizinhos porque as janelas da cobertura onde moravam são antirruído. Ela limpou o sangue.

O fato de ter encontrado a pistola tão próxima não surpreende a polícia. "Eles espalhavam as armas pela casa com medo de um assalto", afirmou Carrasco.

Depois, Elize arrastou o corpo até o quarto, onde ficou por cerca de dez horas. Conhecedora de anatomia, a mulher sabia que era o tempo suficiente para que adquirisse rigidez cadavérica, eliminando pouco sangue quando fosse cortado. Os cortes foram feitos em um dos banheiros dos empregados, que foram dispensados durante a noite do crime. Depois, Elize doou o colchão do casal para uma das babás.

Segundo o delegado, falta muito pouco para concluir o inquérito policial. A polícia ainda vai ouvir as babás e o detetive. Ontem, funcionários do condomínio também foram chamados ao DHPP.

Família. Segundo o advogado Luiz Flávio D'Urso, a família de Matsunaga está abalada. "Estão chocados. Sofrem pela perda de um filho, por um homicídio seguido de esquartejamento. Ainda mais porque isso tem como autora a mãe do neto. É um grande desastre familiar", disse.

Na noite de ontem, Elize foi levada ao local do crime, onde ocorreria a reconstituição. Por ser grande, a cobertura de mais de 500 m² não foi totalmente periciada na segunda-feira.

De acordo com Carrasco, a mulher do executivo será indiciada por homicídio doloso qualificado - uma das agravantes foi o fato de Elize ter ocultado o cadáver do marido. Ela deverá permanecer detida no Presídio de Itapevi, na Região Metropolitana. Ontem, foi prorrogada a prisão temporária dela por mais 15 dias. / M.G. e W.C.

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