Arma foi comprada com dinheiro de droga

Cadu admitiu que traficava maconha e que conviveu nos três últimos meses 'com pessoas do crime', na periferia

, O Estadao de S.Paulo

18 Março 2010 | 00h00

Em seu interrogatório de anteontem, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes disse que traficava maconha, que conviveu nos três últimos meses "com pessoas do crime" na periferia de São Paulo e relatou com detalhes como sequestrou o estudante Felipe Oliveira Iasi, de 23 anos, e como matou o cartunista Glauco Vilas Boas e seu filho, Raoni.

O assassino confesso disse que recebia mesada da família, mas o dinheiro não bastava. Passou a comprar maconha na periferia, onde seria mais barata, e revendia a droga na Vila Madalena, zona oeste. Assim obteve dinheiro para comprar a pistola usada no crime e 70 cartuchos. "Consegui um kit completo." Também contou que "dava uns "Pelés" (drible)" na avó para arrumar dinheiro.

Nunes afirmou que conheceu Iasi, o motorista do carro que o levou à casa de Glauco, "na balada". Contou que fumavam maconha. No dia 11, decidiu "que ia resolver tudo". Telefonou para Iasi porque ele era "um bundão, um playboy" e ia fazer o que ele mandasse.

Ele contou que, já no carro, sacou a arma e encostou em Felipe. "Cara tenho de resolver uma parada, um assunto sério. Você tá vendo o aço? A arma é de verdade. Se você não fizer o que eu mandar, vou sentar o aço (atirar). Vou estourar sua cabeça. Escolhi você porque você é de boa família, tem uma vida boa e não vai vacilar, pois tem muito a perder", afirmou ao rapaz.

Ao entrar na casa do cartunista, Nunes disse a Glauco: "Você tem de dizer a verdade. Assim como você explica a reencarnação dos outros dizendo que Alfredo é o rei Salomão, que o negão, o Mestre Irineu, é Jesus, que as pessoas dizem que você é São Pedro e que Raoni é Davi, se você tem capacidade de falar em reencarnação, então diga quem é que reencarnou no meu irmão." Por fim, afirmou que iria voltar do Paraguai para provar que seu irmão é Cristo reencarnado. / M.G.

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