'Aref me pediu R$ 170 mil', diz Maroni

Empresário diz que, em troca, diretor que comprou 125 apartamentos em 7 anos prometeu regularização de seu hotel em Moema; defesa nega

DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 03h03

O empresário Oscar Maroni acusou ontem no Ministério Público Estadual (MPE) o ex-diretor da Prefeitura de São Paulo Hussain Aref Saab, de 68 anos, de pedir R$ 170 mil para regularizar seu hotel em Moema, na zona sul. Maroni falou por cerca de quatro horas aos promotores Silvio Marques e Iuri Castiglione, mas não apresentou documentos ou gravações que envolvam o servidor no suposto achaque.

Aref é suspeito de enriquecimento ilícito. Durante sete anos, enquanto esteve à frente da aprovação dos principais empreendimentos da capital, Aref e sua empresa SB4 Patrimonial adquiriram 125 imóveis. Sua defesa nega as acusações. Ele e outros quatro funcionários estão sob investigação do MPE.

A boate Bahamas de Maroni, do lado do Aeroporto de Congonhas, na zona sul, foi interditada em 2007. Na Aeronáutica, Maroni havia pedido autorização para funcionamento de um prédio de escritórios. Mas, na Prefeitura, o mesmo pedido de licenciamento falava em um "flat". Quando descobriu a versão diferente no protocolo feito na Secretaria Municipal de Habitação, a Aeronáutica indeferiu o alvará.

Maroni diz que teve a chance de regularizar seu empreendimento em 2010, quando Aref teria pedido R$ 170 mil por um alvará definitivo. O empresário já havia procurado o Estado na semana passada com a mesma denúncia, mas não apresentou documentos ou gravações que comprovassem o pedido de propina. Na ocasião, também pediu para omitir seu nome.

O único documento que o empresário afirmou ter era a gravação de um funcionário de uma empresa de engenharia prometendo liberar seu empreendimento por R$ 10 milhões. Essa gravação também foi entregue aos promotores. "Ele ficou de conseguir mais documentos. Mas, de qualquer forma, já é um bom começo para o inquérito", avaliou o promotor Silvio Marques. "Estamos esperando mais vítimas que tenham sido chantageadas para conseguir alvarás."

A defesa de Aref negou as denúncias de Maroni, que ganhou notoriedade após declarar em um programa de TV que haveria prostitutas no seu futuro hotel. Em 2007, sua casa noturna foi interditada e ele passou a ser investigado pela polícia. Um ano depois, foi candidato a vereador pelo PT do B, mas perdeu. Em 2011, foi condenado a 11 anos de prisão, acusado de favorecimento de prostituição e manutenção de local destinado a "encontros libidinosos". Maroni recorreu e aguarda o fim do processo em liberdade.

Requerimento. A oposição na Câmara tenta hoje convocar Aref para depor sobre as denúncias de enriquecimento ilícito. O pedido será feito na Comissão de Finanças pelo vereador Antonio Donato (PT), mas a base do prefeito Gilberto Kassab (PSD) pretende esvaziar a sessão.

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