Áreas que passaram por obras tentam manter melhorias

Quando o Programa Mananciais teve início, em 1996, as intervenções foram pequenas por causa das restrições orçamentárias - toda a primeira fase do projeto foi bancada por um empréstimo do Banco Mundial e atingiu apenas sete favelas. Porém, se agora a fonte de recursos é maior e os planos mais ambiciosos, o maior desafio da Prefeitura de São Paulo se tornou a manutenção dos espaços já inaugurados.

O Estado de S.Paulo

13 Março 2012 | 03h02

Um exemplo é a comunidade do Jardim Iporanga, na região da Represa do Guarapiranga. Ela passou por obras do Programa Mananciais, inauguradas em 2007. Cerca de 1,8 mil famílias foram retiradas da beira de um córrego, que foi totalmente recuperado e limpo - seu entorno se transformou em uma área de lazer, com brinquedos para crianças e grandes calçadas. Serviços que antes inexistiam, como a coleta de lixo e de esgoto, foram iniciados pela Prefeitura.

Cinco anos depois da inauguração, porém, vários problemas foram constatados pela reportagem ao visitar o local. O córrego estava sujo de lixo - havia até colchões jogados pelos moradores da comunidade. Algumas casas já fizeram novas ligações de esgoto fora da rede coletora instalada, que está escorrendo pelo calçadão construído. As ruas inauguradas já têm alguns buracos, e brinquedos de madeira foram quebrados.

A líder comunitária Sandra Regina Pereira, de 45 anos, afirma que as obras melhoraram a qualidade de vida na região, mas diz não saber como fazer com que os moradores tenham mais cuidado com a área comunitária. "Antes de você chegar, a gente passou pelo córrego e viu que estava limpo, mas, em meia hora, alguém jogou aquele colchão ali. É difícil", confessa.

A superintendente de Habitação Social da Prefeitura, Elisabete França, afirma que a administração precisa encontrar uma nova forma de fazer a manutenção. "Fazemos monitoramentos frequentes. Quando a área é muito grande, ela é transferida para a Secretaria do Verde. Quando é pequena, fazemos uma pós-ocupação, nomeando zeladores ambientais da própria comunidade. Mesmo assim, precisamos pensar em uma outra forma de fazer essa manutenção e reforçar essa zeladoria ambiental." /R.B.

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